Aquele bando de imigrantes!

CONTINUAÇÃO IMEDIATA.

O som da enorme serra giratória toma conta de todo o ambiente. Josie, Zac, Cassie, Morty, Carter e Marta seguem completamente desesperados. Todos amordaçados soltando gritos abafados. A sala circular exala cheiro de podridão. O encapuzado encara cada um deles como se fossem participantes de reality show que serão eliminados um a um.

Ele dá alguns passos da maneira mais performática possível, a fim de instalar ainda mais desespero. Ele segue com as duas mãos para trás e dando passos curtos. Um passo, dois passos, três passos… Até que chega em Josie!

Ele a encara no fundo daqueles olhos castanhos, que soltam algumas lágrimas mortas. Seu queixo treme, seus lábios secos se contraem ao redor do pano da mordaça. Até que o assassino de repente saca uma faca da cintura e, lentamente, escorrega a lâmina do objeto até seu pescoço suado. Ao fundo, os demais seguem soltando gritos abafados.

ENCAPUZADO – Acho que chegou a tua hora!

Em um movimento rápido, ele corta a corda que prende as mãos da garota, fazendo-a cair bruscamente e, em seguida, retira sua mordaça e a puxa pelos cabelos até o centro da sala. Todos ali gritam desesperadamente, enquanto Josie apenas ajoelha na lama em frente aos seus amigos e irmãos. Ela respira muito fundo e fecha seus olhos. Zac e Marta a olham ali, ajoelhada, sem poderem fazer algo. Enquanto isso, o encapuzado se porta atrás de Josie, ainda segurando a faca.

E de repente, entra outro encapuzado na sala e desliga a serra giratória. Agora são dois ali no mesmo ambiente. Ambos armados, ambos prontos para acabar com as vidas de todos os irmãos. E neste momento, enquanto eles estão por detrás de Josie, retiram os capuzes. O primeiro, Gabriel, à direita, com um corte de cabelo militar, traços árabes, pardo e com um olhar completamente frio. O segundo, Matt, à esquerda, possui traços árabes, mas com um corte de cabelo diferente: fios mais longos e mais escuros. Um grandalhão com sede de sangue. Olhos igualmente frios, portando um ódio além do normal.

GABRIEL – Eu sou o Gabriel!

MATT – Eu sou o Matt!

Josie, de cabeça baixa, vai levantando lentamente seu queixo e fixa seus olhos nos seus irmãos. Ela respira fundo e devagar vai abrindo um sorriso macabro em seus lábios.

JOSIE – E eu sou a Josie!

Zac, Marta, Cassie, Morty e Carter estão completamente chocados. Seus olhos brilham de tantas lágrimas que insistem em descer. Seus rostos estão completamente suados. Seus queixos tremem descompassadamente. Josie lentamente levanta e pega a faca da mão de um dos encapuzados.

JOSIE – Estão surpresos? Eu não estaria! (T) Partindo do fato de que eu sempre fui a mais esperta da família, acho que vocês se esforçaram um pouco abaixo do potencial pífio que a genética da Loreta proporcionou. Por que sabe de uma? Eu sempre coloquei tanta fé no Zac. Era o filhinho de ouro. O carinha que daria orgulho ao seu pai. O baluarte das boas maneiras e do sucesso!

Ela caminha lentamente pela sala, passando por cada um dos que estão amarrados. Até chegar em Zac. Ela coloca uma das mãos no bolso da sua jaqueta e tira um potinho de lá. Ela levanta até a altura do rosto e balança, com um sorriso sádico em seus lábios.

JOSIE – Sabem o que é isso? Calmante! Coloquei na comidinha que o atleta invertido fez o favor de cozinhar pra nós. Vocês não merecem morrer estressados! (T) Por um momento eu até cheguei a pensar que você descobriria algo, meu irmãozinho… Você nem imagina o meu medo. Ainda bem que você nasceu gay e precisou se preocupar com isso enquanto eu dava um jeito nas coisas.

Zac está completamente enfurecido. Josie arranca a mordaça dele, que grita toda sua fúria no rosto da sua irmã.

ZAC – Você mandou matar nossa mãe, sua psicopata maldita?

JOSIE – Infelizmente não pude matá-la eu mesma. Seria um prazer! (T) Mas sabe o que é curioso nisso tudo? É que eu posso corrigir isso e matar a extensão dela. Que no caso, é você!

ZAC – Por que você não me matou no lugar dela? A minha mãe não merecia morrer, Josie. Ela era a melhor pessoa do mundo! Ela nos amou até o último segundo de vida.

JOSIE – É… pra você… pra você, talvez. Mas pra mim, não. Ela não foi uma boa mãe. Ela não merecia que eu tivesse piedade. (T) Mas acho que vocês irão ficar felizes em saber que eu dei um falso perdão pra ela antes de pedir pro Matt acabar com ela. (T) Ela morreu sem saber que eu  sabia de tudo. Ela achava que eu descobri tudo junto com vocês.

Neste momento, Marta consegue folgar a mordaça em sua boca e olha diretamente para Josie.

MARTA – Você é uma puta completamente nojenta. É uma ressentida que não foi capaz de provocar qualquer sentimento em alguém pelo simples fato de ser uma incompetente sem sal, que mesmo matando todo mundo aqui, jamais vai conseguir ser o centro de alguma coisa que não seja o da praça da Elm Street rodando a bolsinha.

JOSIE – Você se acha tanto, não é, Marta? Mas fique sabendo que, se eu não tive competência pra provocar amor em alguém, você muito menos. Você vai perceber isso quando flagrar o Carter comendo o Zac bem na sua cama.

MARTA – Eu seria capaz de arrumar a cama pra eles transarem. (T) O que? Você acha que eu já não sabia que os dois se gostam? – Marta solta uma risadinha cínica, enquanto Josie a encara. – Você nunca vai ser feliz, Josie. Você nasceu da podridão, dos ovos de Victor Mariz. O sangue dele corre até nas veias da sua buceta.

Morty, Cassie e Carter observam tudo, completamente chocados. Enquanto isso, os encapuzados os fitam dolorosamente, querendo causar o máximo de desconforto possível. Josie caminha até Marta, a olha com ódio e desprezo. E, de repente, acerta em cheio um tapa no rosto da sua irmã.

JOSIE – Cala essa boca nojenta. (T) Eu odeio o dia em que você nasceu, Marta. Eu odeio olhar pra essa sua cara e lembrar que você e o Zac tiraram de mim a maior preciosidade que uma filha poderia ter. Eu odeio também todos os dias em que acordei e vocês estavam sentados naquela maldita mesa recebendo atenção, enquanto eu era desprezada da pior forma possível por quem deveria me amar.

ZAC – Seu pior castigo vai ser continuar acordando todos os dias, Josie. Isso porque você vai continuar lembrando que ninguém te amou de verdade, exatamente por você ser alguém que não é digna do amor nem de um cachorro de rua. Você vai continuar sendo filha de quem é.

Neste momento, Josie solta uma risadinha cínica e debochada. Ela percorre seus olhos por todos ali na sala. Zac, Marta, Cassie, Morty e Carter.

JOSIE – Vocês ainda não mataram a charada, não é? (T) O problema não é ele. É ela! Eu não sou filha da Loreta. Eu sou fruto de uma pulada de cerca do Victor. E era exatamente por isso que a mãe de vocês me desprezava. (T) Ela passava dias e noites preocupada em manter o bom casamento, ao mesmo tempo que era traída todos os dias e projetava isso nas minhas costas. E que culpa eu tinha nisso tudo? Qual era a minha participação? – Neste momento, Josie começa a chorar de forma contida. – O meu pai me amava. Ele me fazia esquecer daquelas tardes horríveis em que a Loreta não era capaz de me fazer um carinho. Eu era a menina de ouro. Eu era o centro de tudo.

Todos ali estão chocados. Eles olham para Josie com um misto de emoções

ZAC – E qual é nossa participação nisso tudo, Josie? O que você acha que tem de errado comigo, ou com a Marta? Com a Cassie… com o Morty, ou com a Jenna? O que nós fizemos pra você além de nascer?

JOSIE – Vocês… vocês são filhos de outras mães! – Ela derrama algumas lágrimas e em seguida balança a cabeça, em um claro surto. – Ahh, chega! Acabou! Eu… não quero mais lavar roupa suja quando quem usa elas nunca vai estar limpo. Chega!

Cassie chora de forma descontrolada, enquanto tenta falar algo entre a mordaça em sua boca. Josie percebe e caminha na direção dela.

JOSIE – É o que, Cassie? Quer falar alguma coisa? Agora você quer falar alguma coisa? (T) Você nasceu pra morrer, Cassie. Seu destino vai ser uma morte lenta e dolorosa por ter sido uma vaca bastarda que saiu do útero podre de uma eterna amante. – Neste momento, Josie sorri e volta seus olhos para os dois encapuzados atrás dela. – Por falar em amante… Vocês sabiam que Victor Mariz quase teve uma terceira família?

O que já estava desesperador, se tornou ainda pior. Zac e Marta encaram Josie com ódio, enquanto Cassie, Morty e Carter seguem incrédulos e suando frio.

JOSIE – Victor resolveu expandir o seu leque de amantes. Ele queria uma diferente… uma que, digamos assim… fosse de uma outra etnia. Que usasse burca e/

GABRIEL – Estou eu aqui. Eu não sou produto de Victor como vocês, mas eu sou resultado da desgraça que ele causou na minha família. (T) Família. Família… balela. É invenção. É a coisa mais pífia já criada no mundo inteiro. Minha mãe acreditava nisso. E por isso ela acabou…/


MATT – Nossa mãe era linda. Ela era um ser humano maravilhoso. E agora estamos aqui. Eu olho pra vocês e vejo o rosto dela… os olhos dela… a alma dela gritando por socorro, por justiça… e melhor ainda, por ver Victor Mariz se contorcendo no inferno sabendo que todo esse dinheiro e todo esse poder serviram pra nada!
JOSIE – Victor mexeu os pauzinhos pra deportar a mãe deles pro país natal. Dona Yasira... morreu durante uma guerra, uma bomba explodiu na cabeça dela... trágico, não é? Matt e Gabriel fecham seus olhos e engoles em seco aquelas palavras. Eles encaram com ódio cada um daqueles meninos na sala.
JOSIE – Viram como eu sempre estou um passo à frente? Enquanto vocês passaram a vida inteira brincando de família feliz, eu já tinha passado disso pra um estado de graça ainda maior. – Ela dá lentos passos até a serra giratória ao mesmo tempo que fala. – Foi um deleite armar tudo isso. – Ela para em frente à serra. – Foi prazeroso roteirizar as mortes de todos que são símbolos da maior desgraça da humanidade: a família!

Neste momento, ela liga a arma, o que faz ecoar um barulho irritantemente macabro. Neste momento, Josie olha diretamente para Cassie e sorri.

JOSIE – Peguem ela!

Cassie começa a se debater, tentando se soltar. Ela grita, esperneia e acaba chutando Gabriel quando ele tenta pegá-la. Zac grita ao mesmo tempo que tenta se desamarrar. Carter faz o mesmo, enquanto Morty está em completo estado de choque, quase em transe.

Gabriel leva até o meio da sala e Josie vai até ela, segurando em seus cabelos e a puxando até a mesa. Cassie está em completo desespero e com uma faca apontada ao seu pescoço.

JOSIE – Matt, vai buscar gasolina e fósforo que eu vou tocar fogo na buceta dessa vagabunda.


Matt sai dali, e então num rompante Cassie dá um chute na barriga de Josie, que sente bastante dor. Enquanto isso, Carter consegue soltar suas mãos e tenta lutar com Gabriel, que tenta dar umas investidas de faca no atleta. Ele desvia e consegue acertar um chute na mão de Gabriel, fazendo a faca voar longe. Cassie corre até a faca, pega e é surpreendida por Josie, que devolve o chute. E mais um, mais um e mais um.

Cassie sente dificuldade para respirar, mas encontra forças para segurar a faca e enfiar na perna de Josie, que grita de dor, tomando a atenção de Gabriel. Com isso, Carter aproveita para derrubá-lo com um forte chute na barriga. Gabriel cai, mas acaba passando uma rasteira em Carter.

Cassie corre até Zac, corta suas cordas e o ajuda a descer do tronco. Neste momento, Josie percebe que a situação saiu do controle e foge, deixando Gabriel para trás. Gabriel defere alguns socos em Carter, o puxa pela gola da camisa e tenta aproximar o seu rosto da serra, que gira sem parar. Qualquer toque faria um estrago. Mas aí Zac surge e voa no pescoço de Gabriel, fazendo-o pender para trás. Carter acerta alguns socos na barriga do assassino, que acaba jogando Zac para frente em um golpe e corre, percebendo que a situação saiu do controle.

ZAC – Você tá bem, Carter? – Carter assente, com as mãos no joelho, ainda tentando respirar – Cassie, e você? – Ela também assente. – Va… vamos soltar os outros e dar o fora daqui.

Eles correm para soltar Marta e Morty e tentam respirar quando todos já estão soltos.

MORTY – Meu Deus! Onde estamos? Que lugar é esse?

ZAC – Isso aqui parece um porão, não sei… aqui fede a morte!

MARTA – Temos que sair daqui agora. Se aquele grandalhão voltar, ele enfia um machado no nosso rabo em dois segundos!

CASSIE – Eu to com tanto medo, gente! (T) Vamos lá… peguem alguma coisa, essas facas no chão… vamos precisar!

Eles caminham até a porta de madeira, um atrás do outro. Zac vai abrindo lentamente, apontando a faca em posição de defesa. Aos poucos, o que vai sendo revelado é um ambiente completamente claustrofóbico: um extenso túnel de pouca iluminação e paredes de barro minando água. O cheiro de terra molhada e putrefação exala do mais velho ao mais novo grão de areia.

Eles caminham lentamente, com muito cuidado, explorando cada canto daquele túnel. É possível observar algumas portas pelo caminho, que dão em algumas salas. Alguns outros túneis que dão em outras direções, tornando impossível adivinhar onde é a saída. Ali não percorre vento, nada além de um calor insuportável. Tudo é abafado. Exceto um som estranho que começa a percorrer pelos túneis. Um som arranhado, como se alguém estivesse tentando ligar uma… motosserra!

O barulho ecoa uma vez. Duas vezes. Até que cessa completamente. Enquanto isso, os sobreviventes tentam desesperadamente entender de qual direção aquele som está vindo. Eles ficam de costas um para o outro, a fim de se protegerem, até que o barulho ecoa mais duas vezes e se torna contínuo. E se aproxima mais e mais, até que cessa mais uma vez. Eles respiram fundo e continuam à espreita de qualquer movimento estranho.

E novamente, o barulho se torna contínuo. RAMMMMM… mais perto, mais perto e mais perto, até eles um pouco distante eles veem a luz de uma motosserra sendo carregada por um grandalhão que se aproxima mais e mais. Eles correm na direção oposta e, após alguns minutos, ocorre algo horrível: Zac, que estava por último, é arremessado violentamente para dentro de uma sala, de frente para uma outra direção do túnel, por Gabriel. O restante do grupo continua correndo sem perceber devido ao desespero, com Matt e a motosserra em seu encalço.

Enquanto isso, Zac tenta levantar em meio a uma nuvem de poeira que levantou durante o impacto dos corpos dele e de Gabriel, mas é surpreendido pelo mesmo com um chute em sua barriga.

Zac se desespera quando percebe que Gabriel tá portando um machado e está pronto para atacá-lo, e então tenta esquivar de um golpe. Ele abre as pernas e Gabriel acerta a lâmina no chão. Zac aproveita para dar um chute em sua perna e se levanta, tentando fugir, mas Gabriel o puxa pela gola da camisa e acerta um chute com a sola do pé em sua barriga, fazendo-o recuar e bater de costas com um armário de tábua ao fundo. Em seguida, tenta acertar uma machadada em Zac, mas ele desvia novamente para a esquerda e o machado é fincado na parede.

E é aí que Zac aproveita para pegar um estilhaço de madeira pontiagudo e enfiar de uma vez só na barriga de Gabriel, que se contorce de dor e larga o machado ali na parede. Gabriel se ajoelha no chão de lama com tanta dor, tenta puxar o estilhaço cravado em sua barriga, mas neste mesmo momento Zac pega o machado na parede, olha no fundo dos olhos de Gabriel e finca a lâmina de uma vez em seu pescoço. Ele retira a lâmina e dá mais um golpe. E mais outro, mais outro, até que a cabeça de Gabriel separe do corpo e saia rolando no chão e o sangue espirre no rosto de Zac, que tenta respirar, ainda meio tonto da briga. Zac tonteia pelo meio da sala e acaba escorregando um pouco no chão ensanguentado. Ele está completamente sujo de barro e sangue.

CORTA PARA:

Carter, Cassie, Marta e Morty ainda estão correndo pelos túneis escuros. Eles seguem desesperados, até que eles param em um determinado ponto e observam ao redor.

MARTA – Cadê o Zac? Porra, ele estava atrás de nós!

CARTER – Caralho… eu vou atrás dele. Eu vou atrás do Zac!

CASSIE – Não, não… temos que ficar juntos, é perigoso!

CARTER – Eu não vou deixar o Zac pra trás. Ele cuidou de todos nós esse tempo todo. Ele jamais deixaria qualquer um de nós!

MARTA – Trás o meu irmão, Carter, por favor! Ele não pode morrer.

Marta deixa escapar uma lágrima e Carter percebe. É a primeira vez que ele vê Marta em total estado de vulnerabilidade, ao ponto de chorar.

MORTY – Ele precisa de nós. Eu não vou deixar meu irmão!

CARTER – Vamos fazer assim: eu vou atrás do Zac, vocês vão encontrar a saída desse lugar e eu vou com ele logo em seguida. Prometo pra vocês que voltamos com vida e salvos!

Marta sorri para Carter e os quatro se abraçam. Carter respira fundo e balança o corpo a fim de ativar a adrenalina. Ele sai dali, enquanto os outros vão na direção oposta.

Eles seguem andando e andando, em busca de uma saída, mas sem sucesso. Morty vai abrindo algumas portas no caminho para averiguar e o rangido de algumas ecoa pelos túneis. Cassie faz o mesmo, até que abre uma porta específica e lá dentro tem muitos armamentos.

CASSIE – Gente, venham ver isso aqui!

Marta e Morty vão até lá e ficam surpresos com o que acabaram de ver.

MARTA  – Porra, que lugar é esse? Parece um bunker de guerra. Esses caras chegaram aqui em algum tipo de míssil supersônico?

Enquanto Morty e Marta olham as armas, Cassie observa nas paredes alguns recortes de jornais e revistas. Ela fixa seu olhar em alguns específicos, que dizem coisas desconexas.

“Eles querem tirar tudo de nós. Nossa fé, nossos amores, nossos costumes, nossas terras…”

“A violência deixa de ser um recurso e passa a ser abominável quando são eles quem sofrem…”

E de repente, um som rasgado, porém bem baixinho ecoa pela sala. Não é de uma motosserra, mas parece de algum rádio velho. Todos ali se juntam no centro da sala e tentam entender de onde aquele som está vindo.

“Desde o dia em que eu pisei nessa terra, senti que minha existência era uma ofensa para todos aqueles que buscam o caminho do divino e da integridade moral, ao mesmo tempo que flagelam famílias e separam mães dos seus filhos com a distância de uma bomba. Eles fazem questão de olharem para nós de um pedestal maldito e sujo de sangue, lavado com almas fáceis de descartar… livre-os do mal, livre-os deles mesmos. Se tudo que eles pregam fosse se cumprir agora, não existiria uma alma deles nesse mundo. Eles, eles, eles, eles… a verdade deles escolhe quem quer libertar. O restante, ela aprisiona, ela destrói, ela amarra dentro de uma bomba e joga em cima de um prato repleto de pecados e ditos maus costumes… chegou a hora da verdade caminhar com a verdadeira essência da humanidade. É chegada a hora de antecipar a volta daqueles que nunca foram de verdade. Eles, eles, eles, eles, eles…”

E aquele pronome continua ecoando por aquela sala, ao mesmo tempo que os três irmãos gelam suas espinhas e tentam compreender o sentido daquilo. E é neste momento que os passos ecoam por ali, por aqui, por lá, até que um grandalhão surge por detrás de alguns sacos portando um facão enorme, de aspecto meio enferrujado, porém afiado, tudo meio grotesco.

Ele encara o grupo e ronda eles, que estão desesperados procurando uma maneira de se defender.

MARTA – Sai daqui… vai embora, nos deixa em paz… nós não temos culpa do que aconteceu com sua mãe.

Matt respira fundo e aperta os músculos do seu rosto em um puro acesso de raiva. Ele de repente tenta investir um golpe de facão em Marta e ela se esquiva. E é aí que eles tentam fugir, porém ao correr até a porta, Morty acaba tropeçando e cai. Cassie e Marta tentam o ajudar, mas Matt pisa muito forte na perna dele. Tão forte que o barulho do osso quebrando ecoa. Morty grita de dor e Cassie chora de desespero.

Marta tenta dar alguns murros em Matt e acaba recebendo uma cotovelada violenta em seu rosto, fazendo-a cair no chão. E o que acontece em seguida a deixa completamente chocada. Matt pega o seu facão e enfia de ponta nas costas de Morty, que ainda olha para uma Cassie desesperada segurando sua mão, tentando o puxar. Morty cospe sangue, enquanto Matt tenta girar o facão em suas costas.

MORTY – Va… vai embora, Cassie. Sai da-daqui!


Matt retira o facão e enfia mais uma vez, outra vez e outra vez, até ouvir Morty gorfar sangue e dar um último golpe em seu pescoço. Cassie segue desesperada, até que Marta a puxa, passando primeiro pela porta e Cass vindo logo atrás, acompanhada do facão de Matt, que fora arremessado até atravessar a lateral da cabeça dela e fincar na parede em frente a porta.

Marta solta um grito de desespero e logo em seguida corre dali, sendo seguida por Matt, que puxa violentamente o facão da cabeça de Cassie, deixando seu corpo cair de forma grotesca no chão.

CORTA PARA:

Carter busca de corredor em corredor por Zac. Ele está segurando uma faca como arma. Ele passa sorrateiramente pelas salas, até que em uma delas encontra sangue. Seu coração começa a palpitar imaginando ser de Zac, mas um pouco a frente visualiza o corpo e a cabeça de Gabriel separadas. Ele sorri de forma sutil, demonstrando sua felicidade.

CARTER – Esse é meu garoto! Ah, Zac… cadê você?

CORTA PARA:

Marta continua correndo desesperadamente. Seu ritmo não é tão rápido por causa do tiro que levou na perna, mas tenta ir o mais rápido possível. Ela vai entrando de porta em porta, a fim de encontrar Zac e Carter, porém não os encontra. Até que em uma das salas ela encontra um machado encostado na parede.

Ela entra ali para pegá-lo, mas à medida que vai se aproximando da arma a porta ao fundo vai fechando e atrás dela tem uma Josie completamente furiosa segurando uma faca. E enfim a porta bate, fazendo Marta virar com o susto e encarar sua irmã. Seu semblante muda completamente, saindo de medo para raiva em instantes.

MARTA – Sua vagabunda! Tu não vai escapar de mim não, maninha. Daqui vai sair eu ou você viva, porque as duas não vai ser possível.

E nesse acesso de fúria, Marta avança na direção de Josie e se esquiva quando ela tenta a acertar com a faca. Em uma das esquivas, Marta acerta um forte soco no rosto da irmã, que pende para trás e volta já fazendo um corte na barriga da outra. Marta urra de dor, mas consegue chutar a perna machucada de Josie, fazendo-a urrar também.

Marta segura o braço de Josie e consegue jogar a faca longe. Quando isso acontece, as duas se jogam no chão e começam a brigar feio. Josie acerta um murro em Marta, segura nos seus cabelos e começa a bater sua cabeça no chão. Marta reage, dá dois socos em Josie e repete as batidas de cabeça no chão, mas dessa consegue pegar nos cabelos e arrastar Josie, que pega a faca do chão no caminho, até a parede

MARTA – Você é uma frouxa. Foi por isso que colocou esses dois brutamontes pra fazer o servicinho sujo, sua putinha? – E então Marta bate a cabeça da Josie por várias vezes na parede, até que Josie acerta a faca de raspão na perna de Marta, que grita de dor. Josie então se joga por cima de Marta, as duas caem no chão novamente e a assassina faz três rasgos superficiais na barriga de Marta, que mesmo sentindo dor consegue enfiar o dedo na ferida da perna de Josie.

E é neste momento que Marta aproveita, dá uma cabeçada na irmã e consegue desvencilhar seu corpo de debaixo de Josie. Marta então pega o machado lá no canto da parede e acerta a parte de trás da lâmina nas costas de Josie, que cai de rosto no chão e só sente a pancada da lâmina fincando em sua cabeça e o som do CRACK ecoando. O sangue espirra em Marta, que solta um grito com uma mistura de dor física e psicológica. Ela larga o cabo do machado, deixando a peça fincada na cabeça de Josie e observa o corpo morto da irmã, completamente cansada e mancando.

Marta segue ali, cansada, e machucada. Lentamente, Matt vai passando pela porta, fazendo a garota rapidamente pegar a faca no chão e apontar para ele, numa tentativa de assustá-lo. Ela está cambaleando, mas ainda assim o olha no fundo dos olhos, com seu olhar caído. Seu peito sobe e desce em uma respiração profunda e a faca continua apontada para o assassino, que porta um machado em suas mãos. E ali Marta finalmente nota uma faixa enrolando sua mão esquerda. Marta então dá um sorriso cínico e cansado ao mesmo tempo.

MARTA – Então foi você naquele carro? Era você naquela ligação? – Ela solta uma gargalhada de deboche, enquanto Matt a observa. – Pelo seu tamanho, cara, poderia ser menos frouxo. (T) Olha só pra você. Botando essa banca toda, mas eu já escapei de você duas vezes. (T) E eu já te falei, hein? Não vou te comer!

Matt se aproxima cada vez mais de Marta e, enfim, tenta a acertar com o machado, mas ela esquiva.

MARTA – Vai perder pra mim de novo?

Mais uma tentativa e ela esquiva novamente, porém dessa vez cai sentada no chão, se apoiando com a mão esquerda e ele aproveita pra tentar acertá-la. A lâmina do machado vai direto em dois dedos dela, decepando-os. Marta grita de dor enquanto o sangue escorre, mas ela não perde tempo: a garota usa a faca e golpeia o grandalhão várias vezes na barriga. Ele grita e acerta uma joelhada no rosto dela, fazendo-a cair.

Consumido de ódio, Matt pega Marta pelo pescoço, a suspende e a joga diretamente por cima de um armário de forma violenta, fazendo tudo ali quebrar e alguma poeira subir. Marta recebe alguns golpes de chute na barriga, mas consegue levantar um pouco até morder a coxa dele tão forte ao ponto de sangrar. Ele desfere alguns murros em suas costas, fazendo-a cair de rosto no chão.

Matt então mira a lâmina do machado no pescoço de Marta enquanto ela geme de dor no chão. Ele parece estar se divertindo com a cena, porque solta um sorriso sádico ao vê-la tentar levantar sem sucesso. E é ali que ele suspende o machado, pronto para dar o último golpe, que Zac aparece por trás e se joga em suas costas, afundando seu rosto no pescoço do grandalhão e arrancando um pedaço no dente. O sangue espirra, ele solta o machado, joga Zac para frente com violência e começa a gritar, segurando o pescoço. Zac levanta sem perder tempo, pega o machado e golpeia uma das pernas. Em seguida, golpeia a outra perna.

Enquanto Marta levanta, Matt então cai de joelhos, golfando sangue. E é neste momento que Zac pega o machado e finca na testa do assassino. Logo em seguida, Marta pega o cabo do machado apontando para cima, retira dali com a ajuda do próprio pé e golpeia o pescoço de Matt, até que a cabeça seja separada do corpo. E, assim que termina, larga o machado no chão. Eles ficam ali, cambaleando, olhando para o corpo de Matt.

MARTA – Tem que arrancar a cabeça, senão eles voltam. Morty quem me ensinou!

CORTA PARA:

Marta e Zac estão caminhando ali pelos túneis com um pouco de dificuldade. Eles se apoiam um no outro, devido aos ferimentos. Eles cambaleiam um pouco, ambos cobertos de sangue. Mais a frente, Carter vem correndo até eles e os envolve em um abraço. Eles ficam ali, abraçados por alguns segundos, compartilhando dores físicas e psicológicas. Assim que desfazem o abraço, Carter olha diretamente para Zac e segura seu rosto com as duas mãos. Eles se encaram por alguns segundos e finalmente Carter dá um beijo demorado em Zac.

MARTA – Minha nossa, finalmente. Quanta burocracia pra dar um beijo!

Zac e Carter se abraçam e dão risadas do comentário de Marta.

ZAC – Vamos embora daqui, pelo amor de Deus. Eu estou completamente imundo, preciso de um banho!

MARTA – Eu quem matei a Josie…

ZAC – Era pra ter apagado ela e deixado eu terminar o serviço!

MARTA – Não resisti, maninho. Desculpa! (T) Você pegou os meus dedos? Espero que não tenham sido os da siririca!

Eles continuam caminhando ali, por algum tempo, até que um pouco a frente, a luz do dia escapa por uma fresta. E então eles finalmente conseguem encontrar a saída através de uma porta de alçapão. Eles abrem e, assim que sobem, se deparam com uma floresta e com barulhos de pássaro cantando. Muitas árvores, folhas secas pelo chão e o som do vento cortando os topos da vegetação.

MARTA – E pensar que eu poderia ter virado a noite em uma festa… Vai uma trilha aí, meus brothers?

CARTER – Ao menos não teremos facas e machados tentando nos fatiar!

ZAC – Mas teremos armadilhas. Isso aqui é um bunker, provavelmente tem uns buracos com estacas afiadas dentro por aí!

CARTER – Que legal, né? Saímos de The Hills Have Eyes para Wrong Turn. (T) Nossa história daria um bom filme de terror.

MARTA – Eles jamais aceitariam o roteiro. Não há estúdio de filme de terror que aceite deixar um gay, um bissexual e uma puta vivos!

CONTINUA…?


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