MEMÓRIAS DE UM CAIPIRA RAIVOSO
EPISÓDIO 01
A REVISITAÇÃO
É manhã. O sol corta a janela de Andrew – 30 anos, porte e altura médios, branco, magro, olhos fechados, porém azuis enquanto abertos. Seus cabelos são pretos e médios.
Aos poucos, ele abre os olhos e se depara com mais um dia pela frente. Seu bocejo não parece ser de alguém que descansou, mas sim de um corpo em alerta. Ele senta na beirada da cama e tenta encarar o dia, com um pouco dificuldade devido a claridade. Andrew respira fundo, coça os olhos e resolve levantar. Seu quarto, pouco desorganizado, tem paredes em tonalidades mais avermelhadas, próximas de tons bem escuros de sangue, junto com tapetes marrons pelo chão, meio bordados com imagens confusas.
Sua postura curvada nega qualquer descanso; Andrew caminha como um zumbi. E é com esse caminhar que ele vai até a cômoda do outro lado do quarto e pega seus óculos, apenas para virar-se novamente e verificar Jade – 28 anos, cabelos castanhos, baixa estatura, branca, magra e olhos castanhos – deitada na cama. Ele sorri ao vê-la ali, em um claro sinal de conforto.
…
Durante o banho, Andrew fecha seus olhos e parece sentir cada gota de água se chocando contra seu corpo. Ele balança suas mãos por entre as gotas, presta atenção no barulho, mas de repente seu celular toca. Ele sai daquele transe e abre o box do banheiro, indo até o aparelho pousado em cima da pia do cômodo. Na tela, um contato salvo como “MarcAss” apita desesperadamente. Andrew dá uma leve risadinha.
– Alô? – Andrew atende, meio nervoso. – É… é que meu ônibus deu um atras… O senhor não está entendendo. Ele quebrou. Eu… eu vi na TV. – Ele afasta o celular do ouvido, se dando conta do que falou. – Merda! – E retorna ao ouvido. – Não se preocupe, estarei aí em alguns minutos. Estou saindo de casa agora, vou atravessar a rua. Não queremos que eu morra, certo?
Ele encerra a ligação e simplesmente corre, se enrolando em uma toalha, com o cabelo cheio de espuma. E então ele volta, pegando escova e creme dental para escovar os dentes.
…
Sentado no ônibus, Andrew espera chegar ao seu ponto com uma postura estática. Suas olheiras, sua corcunda, seus lábios curvados para baixo como se estivesse prestes a chorar continuam ali, porém encarando um ponto fixo. E isso é quebrado quando, em um determinado momento, o ônibus para bem em frente a uma floricultura. Andrew sente o cheiro das flores e sua atenção finalmente se volta a outro lugar que não seja o visor frontal do ônibus. Ele observa cada detalhe daquele lugar. Das flores expostas aos verdes tapetes de gramas vivas pendurados em uma parede logo na entrada. Sua respiração fica pesada, seu coração acelera e nada mais resta ali a não ser isso.
Mas aí, em questão de segundos, tudo volta ao normal quando o veículo volta a circular. Mas o rosto de Andrew acompanha aquele lugar até sumir do seu campo de visão. Ele então, instantaneamente, bem rápido, volta sua feição e atenção para o visor do veículo.
…
Com a mesma expressão, Andrew permanece atrás do balcão no lugar onde trabalha. O café “Expreriensse”. A loja é de decoração simpática: tudo em tons de branco, preto e rosa, como se fosse bordado de couro de vacas felizes. Em contraste, Andrew segue entediado. E de repente aparece um cliente. Um homem. Um homem alto, careca, barbudo e silencioso. Ele encara Andrew, que o encara de volta. Tudo isso enquanto uma musiquinha ambiente ecoa pelo salão.
– Expreriensse Café! como posso ajudar? – Andrew inicia o seu mantra de todos os dias.
– Preciso de um café bem forte, do maior que você tiver. Não durmo há cinco dias! – O cliente arrasta sua voz, muito cansado.
– E pelo visto já vai completar o sexto dia, hein?! – Andrew completa, tentando parecer simpático.
– Só vou descansar no sétimo, igual Jesus Cristo. – O cliente o encara, enquanto Andrew registra seu pedido.
– Boa sorte nessa jornada! São cinco dólares. – Ele estende a mão para receber o pagamento. Leva alguns segundos até que o cliente o pague. – É só aguardar que o seu nome vai aparecer naquele telão ali! – E aponta para uma TV do outro lado do salão.
O cliente assente e sai, deixando Andrew entediado novamente, ouvindo a mesma musiquinha, que continua tocando.
…
Andrew está chegando em casa. Ele está dentro do ônibus, quase vazio, com a mesma expressão de antes, porém mais cansado devido ao dia de trabalho. A noite já está caindo. Aquele clima de fim de tarde, com a iluminação natural já escassa. Seu corpo não é capaz de sentir qualquer coisa, até que o veículo para em seu ponto. Ele ajeita sua mochila em um único ombro, o esquerdo, e pega uma sacola que está no banco ao seu lado, portando cervejas. Assim que ele desce, a brisa da noite sopra seu rosto.
Andrew então levanta o rosto e fecha os olhos, na tentativa de sentir o vento frio em seu corpo. Ele resolve abaixar seu rosto e encarar, por alguns segundos, umas árvores poucos metros à sua frente. Ele então sai daquele transe e começa a andar. Ele anda, atravessa a rua, e entra em um pequeno prédio. Ele anda mais um pouco, até começar a subir umas escadas. Ele sobe as escadas até parar na frente de uma porta meio bege. Ele a encara, suspira e enfim abre a porta, entrando em seguida.
Assim que entra, ele tranca a porta e vira seu corpo, encarando agora a sala, com os mesmos tons do quarto, como se fosse sua inimiga. Ali não tem ninguém. Nenhuma alma, nenhum corpo. Apenas Andrew, seus pensamentos e sua sacola cheia de cerveja.
– Jade? Meu amor? – Nada. Nenhum som além das sacolas balançando em suas mãos. Andrew dá lentos passos pela sala, parece procurar pela sua esposa. Sua respiração começa a pesar. Seu rosto dá uma leve contraída, quase um presságio de choro. – Meu Deus, Jade, que você não tenha feito isso comigo!
Andrew solta as sacolas no chão da sala e, num rompante, corre em passos largos na direção do quarto. Ele passa pela porta da cozinha e não tem ninguém. Passa pelo banheiro, igualmente vazio. E então, ele chega no quarto, abre a porta em um solavanco e para assim que põe os pés adentro. Ele encara o cômodo, como se fosse seu inimigo. Ali está escuro, frio e mórbido. Vazio. Completamente vazio.
Ele dá um passo. Mais um. Mais um. Tudo pausado de tanto receio, na direção do que está importando no momento: o guarda-roupas. Ele então chega ali e abre de uma vez. As roupas de Jade permanecem no mesmo lugar. Andrew então fecha seus olhos e solta sua respiração, em sinal de alívio. Mas com os lábios contraídos, em outro claro sinal de que a preocupação ainda permanece. E então ele joga seu rosto para o lado em mania.
…
Andrew guarda algumas cervejas na geladeira, enquanto fica apenas com uma sua mão. E então ele bate a porta da geladeira e o barulho da TV ecoa por toda a cozinha. A luz é meio amarelada e os móveis não são antigos e nem modernos, são móveis de aparência comum.
Andrew abre a sua cerveja, fazendo ecoar o famoso TCHIM, e a põe ao seu lado, no balcão. Ele picota alguns vegetais e transfere diretamente para um bowl ao seu lado. Ele está fazendo o jantar. De repente, um som bastante familiar se alastra por ali, fazendo Andrew parar instantaneamente o que está fazendo. E então, ele corre em passos largos até a sala, parando atrás de uma poltrona, que fica de frente para a TV, logo na saída da cozinha.
Andrew está completamente inerte, ainda com a faca na mão. Ele fixa seu olhar na TV e assiste a vinheta de um programa que remete à sua infância. Ele sente um pico de nostalgia naquele momento e solta um sorriso encantador para a TV.
ANDREW – Os Simpsons!... Quantas gargalhadas pela noite, hein, meu pai?
E então ele tira sua atenção dali e dá passos largos de volta até o quarto. Mesmo trajeto. Ele joga a faca na cama e dessa vez vai até sua parte do guarda-roupas e faz ali uma bagunça: ele abre gaveta por gaveta, porta por porta, procurando algo. Uma foto. Ele procura muito e encontra um bolo de fotos. Ele senta na beirada da cama e vai passando foto por foto, mas não encontra a foto que precisa. Mas encontra outra. Uma foto sua, ainda criança, segurando um brinquedo que parece ser um coelho de pelúcia. A foto é meio estourada devido ao tempo e amarelada devido ao local. No meio de uma plantação de trigo da fazenda da família.
Andrew então funga um pouquinho e fica meio cabisbaixo. Ao seu redor, o clima muda: o quarto, antes frio, agora está ficando quente. Andrew então percebe e começa a vaguear seu olhar por todo o quarto. Ele então pousa a foto por cima da cama, pega o controle do ar condicionado e o liga, colocando a temperatura no mínimo. Mas ainda assim o quarto segue quente. Tão quente quanto o clima do campo. Há algo de estranho por ali.
Diante disso, ele tira sua blusa e joga por cima da cama. Ele se estica um pouco, pega a faca que havia jogado ali pelo cabo e caminha, saindo do quarto. Ele passa na cozinha, pega mais uma cerveja e abre, fazendo outro TCHIM. Andrew vai na direção da sala, senta-se naquela poltrona em frente a TV e fica ali, assistindo Os Simpsons enquanto dá longos goles na cerveja, ao passo que a expressão de Andrew vai se tornando vazia, assim como a lata em suas mãos.
…
O som dos passarinhos cantando lá fora atravessa os ouvidos de Andrew. Ele vai acordando lentamente, abrindo seus olhos devagar, até que está quase completamente desperto. Ele senta na beirada da cama, boceja e coça seus olhos. O mais novo detalhe é que Andrew agora massageia suas têmporas e acaba semicerrando os olhos, em sinal de dor de cabeça.
Ele tenta visualizar o quarto, porém está sem óculos. Ele levanta, vai até a cômoda do outro lado do quarto e encontra o objeto, levando-o até o rosto, onde tem que ficar. E então ele retorna seu olhar para a cama e ela está lá, desarrumada e… vazia. Andrew se preocupa. E se preocupa ainda mais quando olha para o guarda-roupas e percebe a parte de Jade de portas abertas e… vazia.
Sua respiração começa a pesar, sua cabeça lateja o triplo e ele então dobra sua expressão em vários fragmentos de tristeza e desespero. Andrew começa a caminhar em passos fundos até a sala, emitindo um alto barulho, até que se depara com algumas malas no chão, em frente ao sofá, e Jade sentada nele. Andrew congela.
Aos poucos, ele abre os olhos e se depara com mais um dia pela frente. Seu bocejo não parece ser de alguém que descansou, mas sim de um corpo em alerta. Ele senta na beirada da cama e tenta encarar o dia, com um pouco dificuldade devido a claridade. Andrew respira fundo, coça os olhos e resolve levantar. Seu quarto, pouco desorganizado, tem paredes em tonalidades mais avermelhadas, próximas de tons bem escuros de sangue, junto com tapetes marrons pelo chão, meio bordados com imagens confusas.
Sua postura curvada nega qualquer descanso; Andrew caminha como um zumbi. E é com esse caminhar que ele vai até a cômoda do outro lado do quarto e pega seus óculos, apenas para virar-se novamente e verificar Jade – 28 anos, cabelos castanhos, baixa estatura, branca, magra e olhos castanhos – deitada na cama. Ele sorri ao vê-la ali, em um claro sinal de conforto.
…
Durante o banho, Andrew fecha seus olhos e parece sentir cada gota de água se chocando contra seu corpo. Ele balança suas mãos por entre as gotas, presta atenção no barulho, mas de repente seu celular toca. Ele sai daquele transe e abre o box do banheiro, indo até o aparelho pousado em cima da pia do cômodo. Na tela, um contato salvo como “MarcAss” apita desesperadamente. Andrew dá uma leve risadinha.
– Alô? – Andrew atende, meio nervoso. – É… é que meu ônibus deu um atras… O senhor não está entendendo. Ele quebrou. Eu… eu vi na TV. – Ele afasta o celular do ouvido, se dando conta do que falou. – Merda! – E retorna ao ouvido. – Não se preocupe, estarei aí em alguns minutos. Estou saindo de casa agora, vou atravessar a rua. Não queremos que eu morra, certo?
Ele encerra a ligação e simplesmente corre, se enrolando em uma toalha, com o cabelo cheio de espuma. E então ele volta, pegando escova e creme dental para escovar os dentes.
…
Sentado no ônibus, Andrew espera chegar ao seu ponto com uma postura estática. Suas olheiras, sua corcunda, seus lábios curvados para baixo como se estivesse prestes a chorar continuam ali, porém encarando um ponto fixo. E isso é quebrado quando, em um determinado momento, o ônibus para bem em frente a uma floricultura. Andrew sente o cheiro das flores e sua atenção finalmente se volta a outro lugar que não seja o visor frontal do ônibus. Ele observa cada detalhe daquele lugar. Das flores expostas aos verdes tapetes de gramas vivas pendurados em uma parede logo na entrada. Sua respiração fica pesada, seu coração acelera e nada mais resta ali a não ser isso.
Mas aí, em questão de segundos, tudo volta ao normal quando o veículo volta a circular. Mas o rosto de Andrew acompanha aquele lugar até sumir do seu campo de visão. Ele então, instantaneamente, bem rápido, volta sua feição e atenção para o visor do veículo.
…
Com a mesma expressão, Andrew permanece atrás do balcão no lugar onde trabalha. O café “Expreriensse”. A loja é de decoração simpática: tudo em tons de branco, preto e rosa, como se fosse bordado de couro de vacas felizes. Em contraste, Andrew segue entediado. E de repente aparece um cliente. Um homem. Um homem alto, careca, barbudo e silencioso. Ele encara Andrew, que o encara de volta. Tudo isso enquanto uma musiquinha ambiente ecoa pelo salão.
– Expreriensse Café! como posso ajudar? – Andrew inicia o seu mantra de todos os dias.
– Preciso de um café bem forte, do maior que você tiver. Não durmo há cinco dias! – O cliente arrasta sua voz, muito cansado.
– E pelo visto já vai completar o sexto dia, hein?! – Andrew completa, tentando parecer simpático.
– Só vou descansar no sétimo, igual Jesus Cristo. – O cliente o encara, enquanto Andrew registra seu pedido.
– Boa sorte nessa jornada! São cinco dólares. – Ele estende a mão para receber o pagamento. Leva alguns segundos até que o cliente o pague. – É só aguardar que o seu nome vai aparecer naquele telão ali! – E aponta para uma TV do outro lado do salão.
O cliente assente e sai, deixando Andrew entediado novamente, ouvindo a mesma musiquinha, que continua tocando.
…
Andrew está chegando em casa. Ele está dentro do ônibus, quase vazio, com a mesma expressão de antes, porém mais cansado devido ao dia de trabalho. A noite já está caindo. Aquele clima de fim de tarde, com a iluminação natural já escassa. Seu corpo não é capaz de sentir qualquer coisa, até que o veículo para em seu ponto. Ele ajeita sua mochila em um único ombro, o esquerdo, e pega uma sacola que está no banco ao seu lado, portando cervejas. Assim que ele desce, a brisa da noite sopra seu rosto.
Andrew então levanta o rosto e fecha os olhos, na tentativa de sentir o vento frio em seu corpo. Ele resolve abaixar seu rosto e encarar, por alguns segundos, umas árvores poucos metros à sua frente. Ele então sai daquele transe e começa a andar. Ele anda, atravessa a rua, e entra em um pequeno prédio. Ele anda mais um pouco, até começar a subir umas escadas. Ele sobe as escadas até parar na frente de uma porta meio bege. Ele a encara, suspira e enfim abre a porta, entrando em seguida.
Assim que entra, ele tranca a porta e vira seu corpo, encarando agora a sala, com os mesmos tons do quarto, como se fosse sua inimiga. Ali não tem ninguém. Nenhuma alma, nenhum corpo. Apenas Andrew, seus pensamentos e sua sacola cheia de cerveja.
– Jade? Meu amor? – Nada. Nenhum som além das sacolas balançando em suas mãos. Andrew dá lentos passos pela sala, parece procurar pela sua esposa. Sua respiração começa a pesar. Seu rosto dá uma leve contraída, quase um presságio de choro. – Meu Deus, Jade, que você não tenha feito isso comigo!
Andrew solta as sacolas no chão da sala e, num rompante, corre em passos largos na direção do quarto. Ele passa pela porta da cozinha e não tem ninguém. Passa pelo banheiro, igualmente vazio. E então, ele chega no quarto, abre a porta em um solavanco e para assim que põe os pés adentro. Ele encara o cômodo, como se fosse seu inimigo. Ali está escuro, frio e mórbido. Vazio. Completamente vazio.
Ele dá um passo. Mais um. Mais um. Tudo pausado de tanto receio, na direção do que está importando no momento: o guarda-roupas. Ele então chega ali e abre de uma vez. As roupas de Jade permanecem no mesmo lugar. Andrew então fecha seus olhos e solta sua respiração, em sinal de alívio. Mas com os lábios contraídos, em outro claro sinal de que a preocupação ainda permanece. E então ele joga seu rosto para o lado em mania.
…
Andrew guarda algumas cervejas na geladeira, enquanto fica apenas com uma sua mão. E então ele bate a porta da geladeira e o barulho da TV ecoa por toda a cozinha. A luz é meio amarelada e os móveis não são antigos e nem modernos, são móveis de aparência comum.
Andrew abre a sua cerveja, fazendo ecoar o famoso TCHIM, e a põe ao seu lado, no balcão. Ele picota alguns vegetais e transfere diretamente para um bowl ao seu lado. Ele está fazendo o jantar. De repente, um som bastante familiar se alastra por ali, fazendo Andrew parar instantaneamente o que está fazendo. E então, ele corre em passos largos até a sala, parando atrás de uma poltrona, que fica de frente para a TV, logo na saída da cozinha.
Andrew está completamente inerte, ainda com a faca na mão. Ele fixa seu olhar na TV e assiste a vinheta de um programa que remete à sua infância. Ele sente um pico de nostalgia naquele momento e solta um sorriso encantador para a TV.
ANDREW – Os Simpsons!... Quantas gargalhadas pela noite, hein, meu pai?
E então ele tira sua atenção dali e dá passos largos de volta até o quarto. Mesmo trajeto. Ele joga a faca na cama e dessa vez vai até sua parte do guarda-roupas e faz ali uma bagunça: ele abre gaveta por gaveta, porta por porta, procurando algo. Uma foto. Ele procura muito e encontra um bolo de fotos. Ele senta na beirada da cama e vai passando foto por foto, mas não encontra a foto que precisa. Mas encontra outra. Uma foto sua, ainda criança, segurando um brinquedo que parece ser um coelho de pelúcia. A foto é meio estourada devido ao tempo e amarelada devido ao local. No meio de uma plantação de trigo da fazenda da família.
Andrew então funga um pouquinho e fica meio cabisbaixo. Ao seu redor, o clima muda: o quarto, antes frio, agora está ficando quente. Andrew então percebe e começa a vaguear seu olhar por todo o quarto. Ele então pousa a foto por cima da cama, pega o controle do ar condicionado e o liga, colocando a temperatura no mínimo. Mas ainda assim o quarto segue quente. Tão quente quanto o clima do campo. Há algo de estranho por ali.
Diante disso, ele tira sua blusa e joga por cima da cama. Ele se estica um pouco, pega a faca que havia jogado ali pelo cabo e caminha, saindo do quarto. Ele passa na cozinha, pega mais uma cerveja e abre, fazendo outro TCHIM. Andrew vai na direção da sala, senta-se naquela poltrona em frente a TV e fica ali, assistindo Os Simpsons enquanto dá longos goles na cerveja, ao passo que a expressão de Andrew vai se tornando vazia, assim como a lata em suas mãos.
…
O som dos passarinhos cantando lá fora atravessa os ouvidos de Andrew. Ele vai acordando lentamente, abrindo seus olhos devagar, até que está quase completamente desperto. Ele senta na beirada da cama, boceja e coça seus olhos. O mais novo detalhe é que Andrew agora massageia suas têmporas e acaba semicerrando os olhos, em sinal de dor de cabeça.
Ele tenta visualizar o quarto, porém está sem óculos. Ele levanta, vai até a cômoda do outro lado do quarto e encontra o objeto, levando-o até o rosto, onde tem que ficar. E então ele retorna seu olhar para a cama e ela está lá, desarrumada e… vazia. Andrew se preocupa. E se preocupa ainda mais quando olha para o guarda-roupas e percebe a parte de Jade de portas abertas e… vazia.
Sua respiração começa a pesar, sua cabeça lateja o triplo e ele então dobra sua expressão em vários fragmentos de tristeza e desespero. Andrew começa a caminhar em passos fundos até a sala, emitindo um alto barulho, até que se depara com algumas malas no chão, em frente ao sofá, e Jade sentada nele. Andrew congela.

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