A OUTRA

CAPÍTULO 30

UMA NOVELA DE TAÍS GRIMALDI



CENA 1— APARTAMENTO DE ARTHUR — DIA

O apartamento está tomado por policiais. A porta escancarada, fita amarela isolando a entrada, flashes das câmeras periciais iluminando o ambiente. O clima é pesado, abafado, como se o ar tivesse parado desde o momento do crime.

Arthur continua na cadeira, coberto parcialmente por um lençol branco. A cena é brutal.

Três policiais conversam próximos à escrivaninha, enquanto a perícia trabalha em silêncio.

POLICIAL 1 (olhando a cena, balançando a cabeça) O bandido agiu igual Trump na Venezuela… rápido e de forma eficiente. Não deu margem pra nada.

POLICIAL 2 (olhando para o corpo) E assim como o Maduro… o Arthur não teve tempo de reagir. Foi direto ao ponto.

POLICIAL 3 (ácido, cínico) É… o mundo tá desse jeito. Política virou tiroteio. Literalmente, pelo visto.

Os três trocam olhares tensos. O clima é de desconforto — não só pelo crime, mas pelo que ele sugere.

A porta se abre com força.

YONàentra, determinada, expressão fechada. Ela mostra a identificação antes mesmo de falar.

YONàO que temos?

Os policiais se ajeitam imediatamente.

POLICIAL 1 Dois tiros. A queima‑roupa.

POLICIAL 2 Sem sinais de luta. Sem tentativa de defesa.

POLICIAL 3 Pelo posicionamento… (pausa, sério) …ele provavelmente conhecia o assassino.

Yonã observa a cadeira, o corpo, a distância dos disparos. O olhar dela endurece.

YONà(baixa, firme) Então vamos descobrir quem era íntimo o suficiente pra chegar tão perto.

A câmera fecha no rosto dela — determinado, frio, calculado.

CORTE PARA:

CENA 2 — APARTAMENTO DE EVELYN — DIA

O apartamento de Evelyn está silencioso, com as cortinas ainda fechadas. A campainha toca de forma insistente. Evelyn, surpresa, vai até a porta e a abre.

Paula Lee entra sem pedir permissão.

Ela está devastada. Os olhos vermelhos, a respiração curta, o corpo inteiro tremendo como se tivesse sido arrancado de si mesma. Evelyn fecha a porta rapidamente.

EVELYN Paula… o que aconteceu? Você tá branca… senta aqui.

Paula não senta. Fica parada no meio da sala, como se não soubesse onde colocar o próprio corpo.

PAULA LEE (voz quebrada, quase sem ar) O Arthur… (pausa, engole seco) …o Arthur foi morto.

Evelyn leva a mão à boca, chocada.

EVELYN Meu Deus… Paula… não… Ela se aproxima e tenta abraçá‑la, mas Paula permanece rígida, como se o toque fosse quebrá‑la.

PAULA LEE (olhando para o nada) Dois tiros. A queima‑roupa. (raiva contida) Dentro do nosso apartamento.

Evelyn tenta segurá‑la pelos braços, tentando trazê‑la de volta ao chão.

EVELYN Eu sinto tanto… Paula, eu sinto tanto. Isso é horrível. Quem faria uma coisa dessas?

Paula finalmente olha para ela — e o olhar é de aço.

PAULA LEE Alguém que sabia exatamente o que estava fazendo.

Evelyn hesita.

EVELYN Você acha que foi… um assalto? Uma invasão?

Paula solta uma risada curta, amarga, quase um soluço.

PAULA LEE Assalto? (nega com a cabeça) Não levaram nada. Nada. (pausa, firme) Isso tem a ver com a Cibeli.

Evelyn arregala os olhos.

EVELYN A Cibeli…? Paula, você tá nervosa, não tira conclusões assim…

Paula dá um passo à frente, a voz firme, decidida, como se algo tivesse se acendido dentro dela.

PAULA LEE Eu não tô nervosa, Evelyn. Eu tô vendo o que tá na minha frente. (pausa) A morte da Cibeli não foi acidente. E agora… (olhos marejados, mas frios) …agora mataram o Arthur.

Evelyn tenta falar, mas Paula continua, tomada por uma força nova — quase perigosa.

PAULA LEE Eu vou até o fim. (pausa, intensa) Eu vou descobrir quem fez isso. E quando eu descobrir… (olhar duro) …ninguém vai me impedir.

Evelyn sente um arrepio. A mulher diante dela não é apenas uma viúva em choque — é alguém que acabou de cruzar uma linha.

A câmera fecha no rosto de Paula: devastada, mas determinada.

CORTA PARA:

CENA 3 — PALÁCIO DAS LARANJEIRAS — ESCRITÓRIO DE ERIBERTO — DIA

SONOPLASTIA: “See You Next Wednesday” — Gavin Salkeld (clima tenso, pulsante, como se cada segundo pudesse explodir)

O escritório do governador é amplo, elegante, silencioso. Livros alinhados, móveis de madeira escura, uma aura de poder que parece observar quem entra. A porta está entreaberta.

Márcia — ainda interpretando Stella — entra devagar, certificando‑se de que ninguém a segue. O olhar dela percorre o ambiente com precisão cirúrgica.

Ela fecha a porta com cuidado.

Do bolso interno da roupa, retira um pequeno dispositivo de escuta. Depois outro. E mais um. Movimentos rápidos, treinados, quase profissionais.

Ela instala o primeiro atrás de uma estante. O segundo sob a mesa de Eriberto. O terceiro dentro de um abajur.

A música cresce, criando uma sensação de perigo iminente.

Márcia então abre uma pequena caixa metálica e retira duas microcâmeras. Uma vai para o canto superior da estante. A outra, discretamente, atrás de um vaso decorativo.

Ela respira fundo, satisfeita — mas tensa.

Quando se vira para sair…

A porta se abre.

Consuelo está parada ali.

Imóvel. Observando. Fria como mármore.

CONSUEL0 (olhar afiado) Stella… o que você está fazendo no escritório do Eriberto?

Márcia congela por um segundo — apenas um — mas o suficiente para que Consuelo perceba.

Ela força um sorriso.

MÁRCIA (como “Stella”) Ah… eu… estava procurando um documento. (pausa, tentando soar natural) O Eriberto pediu antes de eu ir ao hospital. Achei que estivesse aqui.

Consuelo desce um degrau, aproximando‑se lentamente, como quem fareja mentira.

CONSUEL0 Documento? (pausa, seca) E você procurou… sozinha?

Márcia mantém o sorriso, mas os olhos denunciam desconforto.

MÁRCIA Eu não queria incomodar ninguém. Só vim ver se encontrava.

Consuelo olha ao redor, como se pudesse enxergar através das paredes.

CONSUEL0 Curioso. (pausa) O Eriberto nunca deixa documentos importantes aqui. (olhar direto, cortante) E você nunca entra neste escritório sem avisar.

Márcia engole seco.

MÁRCIA Eu… achei que não teria problema.

Consuelo dá mais um passo, agora muito perto.

CONSUEL0 (baixa, firme) Tudo tem problema quando envolve o Palácio. E quando envolve o meu filho.

O silêncio pesa.

CENA 4 — CLÍNICA SÃO DAMIÃO — QUARTO DE STELLA — DIA

O corredor da clínica é silencioso, impecável, quase asséptico demais. Enfermeiros caminham de um lado para o outro, mas nada parece fora do lugar. Nada — exceto Selena.

Ela surge no final do corredor vestindo um uniforme branco recém‑roubado, crachá falso pendurado no bolso, cabelo preso de forma rígida. O olhar, porém, entrega tudo: febre, obsessão, perigo.

Ela caminha com passos calculados, como se já conhecesse o lugar. Ninguém desconfia — ou não o suficiente.

Selena para diante da porta do quarto.

O nome na placa: MÁRCIA FERRAZ. Mas ela sabe que ali dentro está Stella. Ou… deveria estar.

Ela respira fundo, gira a maçaneta e entra.

INTERIOR — QUARTO

A luz é suave, filtrada pelas cortinas. Máquinas apitam em intervalos regulares. Stella está deitada, imóvel, profundamente sedada. O rosto pálido, sereno, quase etéreo.

Selena fecha a porta atrás de si.

Ela se aproxima devagar, como se estivesse diante de um animal adormecido — ou de um fantasma.

SELENA (baixa, quase um sussurro) Então é você…?

Ela observa cada detalhe: o formato do rosto, o corte do cabelo, a respiração lenta. A mão treme quando ela estende os dedos para tocar o braço de Stella — mas ela recua no último segundo.

O olhar dela se estreita.

SELENA (voz baixa, desconfiada) Você parece a Stella… (pausa) Mas a Stella nunca me rejeitou.

Ela dá um passo para trás, perturbada.

SELENA E a outra… a que está lá fora… (raiva crescente) …aquela me olha como se nunca tivesse me visto.

A respiração dela acelera. A obsessão vira dúvida. A dúvida vira fúria.

Selena se aproxima mais uma vez, agora encarando o rosto de Stella a poucos centímetros.

SELENA (olhos marejados, perigosos) Quem é você?

A câmera fecha no rosto de Stella — imóvel, indefesa.

Depois no rosto de Selena — tomada por uma mistura de dor, ciúme e algo muito mais sombrio.

Ela dá um último olhar para a mulher no leito.

SELENA (baixa, ameaçadora) Eu vou descobrir.

Ela sai do quarto silenciosamente, fechando a porta com cuidado — mas seus olhos queimam como brasas.

No corredor, ela caminha com a mesma calma falsa de antes, mas agora com um propósito claro.

A música cresce, tensa.

CORTA PARA:

 

CENA 5 — AEROPORTO PARTICULAR — EXT. DIA

SONOPLASTIA: “Que País É Esse” — Legião Urbana (trecho instrumental, energia crua, urgente, marcando a chegada de alguém que vem para guerra)

O sol do meio‑dia bate forte na pista do aeroporto particular. Um jatinho branco acaba de estacionar. A porta se abre com um estalo metálico.

Surge AMANDA LEE.

Alta, elegante, vestida inteiramente de preto — não apenas por luto, mas como uma declaração silenciosa de guerra. Óculos escuros, postura impecável, expressão dura. Ela desce a escada com passos firmes, como quem pisa em território inimigo.

Dois funcionários se aproximam para ajudar com a bagagem, mas ela levanta a mão, dispensando-os sem sequer olhar.

Amanda para no último degrau, respira fundo e observa o Rio de Janeiro diante de si — não com admiração, mas com frieza.

AMANDA LEE (baixa, para si mesma) Vamos acabar logo com isso.

Ela caminha pela pista com determinação. O vento bate no cabelo, mas ela não perde o ritmo. Cada passo é carregado de propósito.

A música cresce.

Amanda passa pelo saguão reservado, onde um motorista a aguarda com um cartaz discreto. Ele se aproxima.

MOTORISTA Sra. Amanda Lee? A Sra. Paula pediu que eu—

Amanda o interrompe com um gesto seco.

AMANDA LEE Eu sei onde ela está. (pausa, gelada) E ela que se prepare.

O motorista engole seco, abre a porta do carro. Amanda entra sem olhar para trás.

A porta se fecha com força.

O carro arranca.

A câmera sobe, mostrando o jatinho ao fundo e o carro se afastando pela estrada do aeroporto — como se anunciasse a chegada de um furacão.

CORTA PARA:

CENA 6 — CLUBE DE TÊNIS — DIA

SONOPLASTIA: “O Tempo Não Para” — Elza Soares (versão intensa, grave, arrastada — cada verso parece pesar sobre Stu)

A quadra está vazia. O sol bate forte, refletindo no piso vermelho. O silêncio é cortado apenas pelo som distante de outras quadras — risadas, conversas, raquetadas — mas nada chega realmente até Stu.

Ele está sozinho.

Stu saca. Erra. A bola bate na rede e cai morta no chão.

Ele respira fundo, irritado, pega outra bola. Saca de novo. Erra de novo.

A música cresce, como se empurrasse Stu para dentro de si mesmo.

Ele tenta uma sequência de golpes, mas cada movimento é atrasado, sem força, sem foco. A raquete escapa da mão por um instante — ele a segura no ar, mas o gesto revela o quanto está abalado.

Stu para no centro da quadra, mãos nos joelhos, respirando pesado. O suor escorre, mas não é só esforço físico — é ansiedade, inquietação, culpa.

Ele olha para o celular deixado no banco ao lado da quadra. A tela acende com notificações — mensagens não lidas, ligações perdidas.

Stu desvia o olhar imediatamente, como se o aparelho fosse um inimigo.

A música entra no refrão, poderosa, esmagadora.

Ele tenta retomar o treino, mas a mão treme. O golpe sai torto e a raquete voa longe, batendo na grade com violência.

Stu fecha os olhos, respira fundo, mas o ar parece não entrar.

Ele caminha até a raquete, pega-a do chão, mas não volta a treinar. Fica parado, olhando para o nada, completamente desconectado do mundo ao redor.

Algo o incomoda profundamente. Algo o corrói. Algo que ele não consegue — ou não quer — encarar.

A câmera se afasta, deixando Stu pequeno no centro da quadra vazia, engolido pela própria inquietação.

CORTA PARA:

CENA 7 — PALÁCIO DAS LARANJEIRAS — HALL DE ENTRADA — DIA

O hall do Palácio das Laranjeiras está silencioso, imponente, com seus mármores polidos refletindo a luz dourada da tarde. Funcionários passam apressados, mas ninguém ousa falar alto. O clima é de tensão política — e algo mais sombrio.

A porta lateral se abre.

Márcia, ainda interpretando Stella, surge com passos calculados, tentando parecer natural. Mas o olhar dela denuncia inquietação.

De trás de uma coluna, Selena aparece.

Ela não deveria estar ali. Mas está. E está esperando.

Selena dá dois passos à frente, bloqueando a passagem de Márcia.

O silêncio pesa.

SELENA (serena demais, perigosa) Stella… podemos conversar?

Márcia congela por um instante — apenas o suficiente para Selena perceber.

MÁRCIA (como “Stella”) Claro… mas agora não é um bom momento. Eu estava indo—

SELENA (interrompe, doce como veneno) Eu só queria entender seus planos. (pausa, estudando cada reação) Você sempre me contou tudo.

Márcia força um sorriso, mas o desconforto é evidente.

MÁRCIA Meus… planos?

Selena dá um passo à frente, invadindo o espaço dela.

SELENA Sim. (olhar fixo, afiado) O que você pretende fazer agora que voltou ao Palácio? (pausa) Como vai lidar com… tudo isso?

Márcia engole seco. É uma armadilha. E ela sabe.

MÁRCIA Eu… ainda estou me recuperando. Não pensei em nada disso. Só quero descansar.

Selena inclina a cabeça, como quem observa um animal estranho.

SELENA Engraçado. (pausa) A Stella sempre tinha um plano. Sempre.

Márcia tenta sair pela tangente.

MÁRCIA Selena, por favor… eu realmente não estou bem. Não quero falar sobre isso agora.

Selena sorri — um sorriso pequeno, frio, que não chega aos olhos.

SELENA Claro. (pausa longa, venenosa) Você não quer falar sobre nada, não é?

Márcia desvia o olhar, nervosa.

Selena percebe. E naquele instante, ela sabe.

Não é Stella. Não pode ser.

Mas ela não verbaliza. Não ainda.

SELENA (baixa, quase um sussurro) Você está… diferente.

Márcia tenta manter a postura.

MÁRCIA Eu passei por muita coisa. É normal.

Selena dá um passo para trás, abrindo passagem — mas sem tirar os olhos dela.

SELENA Claro. (olhar cortante) Normal.

Márcia passa por ela rapidamente, quase fugindo.

Selena fica parada no centro do hall, imóvel, observando a nora do governador desaparecer no corredor.

O rosto dela endurece.

Ela não precisa dizer nada. O público entende tudo.

Selena agora tem certeza absoluta: Aquela mulher não é Stella.

A música sobe, tensa, elegante, com aquele ritmo de novela das nove que anuncia que o jogo mudou.

CORTA PARA:

CENA 8 — RIO DE JANEIRO — ANOITECER

SONOPLASTIA: “Erotica” — Madonna (batida lenta, sensual, sombria; atmosfera urbana carregada de tensão)

O Rio de Janeiro mergulha no crepúsculo. O céu é um degradê de roxo e vermelho, como se a cidade estivesse queimando por dentro. As luzes começam a acender nos prédios, nos postes, nos carros — cada ponto luminoso parece um segredo prestes a explodir.

A câmera desliza pela orla: — Casais caminhando sem pressa. — Ciclistas passando em silêncio. — Ambulantes recolhendo suas barracas. — O mar escuro, inquieto, refletindo as luzes da cidade.

A batida de Erotica entra, profunda, quase hipnótica.

CORTA PARA:

O trânsito pesado na Lagoa. Carros avançam devagar, faróis iluminando rostos tensos, preocupados, distraídos. A música cria um contraste: sensualidade e perigo misturados, como se algo estivesse prestes a acontecer.

CORTA PARA:

Um táxi atravessando o túnel Rebouças. A câmera acompanha o veículo por dentro — o motorista calado, o rádio baixo, o túnel iluminado por lâmpadas amarelas que piscam como um código secreto.

CORTA PARA:

O alto do Morro Dona Marta. A cidade inteira se estende abaixo, brilhando como um tabuleiro de xadrez. A música cresce, pulsante, carregada de mistério.

O vento sopra forte. As luzes tremulam. A noite cai de vez.

O Rio respira. Mas não em paz.

Há algo no ar. Algo que se move nas sombras. Algo que está prestes a se revelar.

CORTA PARA:

 

CENA 9 — CLÍNICA SÃO DAMIÃO — NOITE 

A noite cai pesada sobre a clínica. O silêncio é tão profundo que parece amplificar cada passo, cada respiração, cada sombra que se move pelos corredores.

A porta do quarto de Stella se abre lentamente.

Entra Selena.

Disfarçada de enfermeira, uniforme impecável, touca, máscara — mas os olhos… os olhos queimam com uma mistura de obsessão, esperança e loucura silenciosa. Ela fecha a porta com cuidado, tranca, e respira fundo.

O quarto está iluminado apenas por uma luz azulada das máquinas. Stella permanece imóvel, pálida, frágil, como uma boneca abandonada.

Selena se aproxima da cama com passos lentos, reverentes.

Ela tira do bolso uma seringa com um líquido âmbar. As mãos tremem — não de medo, mas de antecipação.

SELENA (voz baixa, emocionada) Eu prometi que voltaria pra você… E eu voltei.

Ela segura o braço de Stella com delicadeza quase religiosa e injeta o medicamento.

A máquina apita. O corpo de Stella reage. A respiração muda.

Selena recua um passo, o coração disparado.

STELLA ABRE OS OLHOS.

De repente. Como se tivesse sido puxada de volta do fundo de um abismo.

Selena leva as mãos à boca, sufocando um soluço de alegria.

SELENA (chorando, rindo, tremendo) Stella… meu amor… Você voltou pra mim.

Ela se aproxima, pega a mão de Stella, aperta com força, como se quisesse garantir que aquilo não era um sonho.

Stella pisca, confusa, tentando focar o rosto à sua frente.

Selena sorri, eufórica, tomada por uma felicidade quase insana.

SELENA Sou eu… sou eu, Stella… Olha pra mim… Fala comigo…

Stella finalmente foca o olhar.

E o que ela diz corta o ar como uma lâmina.

STELLA (voz fraca, estranha, assustada) Quem… é você?

O sorriso de Selena desaba. O mundo dela desaba.

Ela dá um passo para trás, como se tivesse levado um tiro.

SELENA (sem ar) O quê…? Stella… sou eu… Sou eu… Você sabe quem eu sou…

Stella tenta se sentar, mas está fraca demais. O olhar dela é de puro pânico — não há reconhecimento, não há amor, não há memória.

STELLA (mais forte, desesperada) Quem é você?! Onde eu estou?!

Selena fica imóvel. Os olhos arregalados. A respiração presa.

A câmera fecha no rosto dela — uma mistura devastadora de choque, dor, incredulidade e algo muito mais perigoso começando a nascer.

A música cresce, tensa, sufocante.

Selena dá um passo à frente, mas não toca Stella. Ela apenas sussurra, com a voz quebrada:

SELENA (baixa, sombria) Não… Não pode ser… Você… você é a Stella. Você é minha Stella.

Stella chora, assustada.

Selena seca as próprias lágrimas com raiva, como se estivesse sendo traída pelo destino.

SELENA (olhar vazio, perigoso) Eu vou descobrir o que fizeram com você. Eu juro.

A câmera sobe lentamente enquanto Selena encara Stella — uma mulher renascida sem memória — e a tensão explode no ar como eletricidade.

CORTA PARA:

FIM

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