A OUTRA
CAPÍTULO 33
UMA NOVELA DE TAÍS GRIMALDI
CENA 1 — PALÁCIO DAS LARANJEIRAS — QUARTO DE “STELLA” (MÁRCIA) — MANHÃ
O quarto está silencioso, iluminado pela luz suave que entra pelas persianas. Márcia — ainda interpretando Stella — está sentada na cama, o laptop discretamente semifechado ao seu lado, como uma serpente adormecida.
A porta se abre sem aviso.
PAOLA entra.
Fria. Impecável. Com aquele ar de quem nunca chega por acaso.
Márcia se sobressalta — um micro gesto, quase imperceptível, mas suficiente para denunciar o nervosismo.
PAOLA (sem sorriso, sem calor) Stella.
Márcia engole seco. A frieza de Paola é tão cortante que parece atravessar o ar.
MÁRCIA (como “Stella”) Paola… que surpresa.
Paola dá dois passos para dentro, fecha a porta atrás de si com calma cirúrgica.
PAOLA Eu vim ver a Marisa. (pausa, olhando Márcia de cima a baixo) Mas achei que devia passar aqui também. Afinal… você quase morreu.
Márcia tenta manter a postura.
MÁRCIA Estou melhorando. Aos poucos.
Paola não responde. Ela observa o quarto como quem fareja algo fora do lugar.
O olhar dela pousa no laptop.
Márcia percebe. E o sangue gela.
Paola se aproxima devagar, como uma pantera.
PAOLA (olhar fixo no computador) Curioso. Você nunca trouxe trabalho pra cama. Muito menos… segredos.
Márcia força um sorriso.
MÁRCIA É só… distração. Coisas minhas.
Paola vira o rosto para ela — e o olhar é uma lâmina.
PAOLA Entre você e o Eriberto… (pausa) …nunca houve segredos.
Silêncio.
Márcia sente o chão sumir. Paola percebe — e avança.
PAOLA (baixa, incisiva) O que você está escondendo?
Márcia respira fundo. Ela sabe que Paola não é alguém que se engana com facilidade. E sabe que, se mentir mal, morre ali mesmo — socialmente, politicamente, fisicamente.
Ela toma uma decisão.
MÁRCIA (baixa, firme) Eu… instalei câmeras no escritório do Eriberto.
Paola pisca. Uma vez. Depois sorri — um sorriso lento, perigoso, quase infantil de tão feliz.
PAOLA Você fez… o quê?
MÁRCIA Eu precisava de provas. Contra ele. Contra tudo o que ele esconde. E agora eu tenho.
Paola leva a mão à boca, rindo — rindo de puro deleite.
PAOLA Meu Deus… (pausa, rindo mais) Você grampeou o escritório do Eriberto. Você! A certinha, a moralista, a perfeita Stella…
Márcia tenta manter a pose.
MÁRCIA Eu fiz o que precisava ser feito.
Paola se aproxima, senta na beira da cama, encara Márcia com brilho nos olhos.
PAOLA Você não faz ideia do presente que acabou de me dar. (pausa) Isso… isso pode destruir ele. E salvar todas nós.
Márcia respira aliviada — Paola comprou a história.
PAOLA (baixa, cúmplice) E não se preocupe. Eu vou te ajudar a manter essa farsa. Até o fim.
Márcia sorri — um sorriso pequeno, mas cheio de veneno.
MÁRCIA Obrigada, Paola.
Paola se levanta, ajeita o cabelo, recupera a frieza habitual.
PAOLA Se prepare. A partir de agora… (pausa, intensa) …o jogo virou.
Ela sai.
A porta se fecha.
Márcia solta o ar que estava prendendo. Passa a mão no rosto. E sorri — um sorriso de quem acaba de ganhar uma aliada tão perigosa quanto útil.
CORTA PARA:
CENA 2 — PALÁCIO DAS LARANJEIRAS — QUARTO DE MARISA — TARDE
O Palácio está silencioso, pesado, como se respirasse preocupação. Funcionários caminham devagar pelos corredores, evitando fazer barulho. A crise política e familiar paira no ar como uma nuvem espessa.
O quarto de Marisa é amplo, elegante, mas agora parece menor — tomado por máquinas, remédios e uma luz suave que entra pelas cortinas semiabertas.
Marisa dorme profundamente, ainda frágil, o rosto marcado pela noite traumática.
A porta se abre devagar.
Paola entra.
Mas não é a Paola da live, nem a mulher afiada que manipula o tabuleiro político. É uma versão rara, quase escondida do mundo: a tia que ama, que se culpa, que sente.
Ela fecha a porta com cuidado, como quem teme acordar um pássaro ferido.
Paola se aproxima da cama. Observa Marisa por longos segundos — um olhar cheio de ternura e dor.
Ela toca o rosto da sobrinha com a ponta dos dedos, delicadamente.
PAOLA (voz baixa, suave) Você sempre foi tão bonita… Tão cheia de vida.
Marisa se mexe levemente, mas não acorda.
Paola sorri — um sorriso triste, carregado de culpa.
PAOLA Eu devia ter estado aqui. (pausa) Eu devia ter visto que você estava pedindo socorro.
Ela ajeita uma mecha de cabelo atrás da orelha da sobrinha.
PAOLA Você não merece carregar o peso dos nossos erros. Nem dos meus.
A voz dela falha — algo raríssimo.
PAOLA (baixa, emocionada) Eu sei o que é se perder. Eu sei o que é tentar apagar a dor… E acordar num lugar ainda pior.
Ela segura a mão de Marisa com cuidado.
PAOLA Mas você não vai passar por isso sozinha. Não mais.
Marisa abre os olhos devagar, ainda grogue.
MARISA (tentando focar) Tia…?
Paola sorri — um sorriso que ninguém mais vê.
PAOLA Sou eu, meu amor. Tô aqui.
Marisa tenta levantar a mão. Paola segura, com carinho.
MARISA (voz fraca) Eu… eu fiz besteira.
Paola balança a cabeça, acariciando a mão dela.
PAOLA Não. Você só tropeçou. E todo mundo tropeça.
Marisa chora — lágrimas silenciosas, de medo e alívio.
Paola se inclina e a abraça com delicadeza, como se o mundo pudesse quebrar se ela apertasse demais.
PAOLA (um sussurro) Eu tô aqui agora. E não vou te deixar cair de novo.
A câmera se afasta devagar, deixando as duas abraçadas — uma mulher tentando ser forte, e uma menina tentando sobreviver.
É a primeira vez que Paola parece… humana.
CORTA PARA:
CENA 3 — PALÁCIO DAS LARANJEIRAS — SALA DE REUNIÕES — TARDE
A sala é ampla, imponente, com janelas altas e móveis de madeira escura. Consuelo está sentada à cabeceira da mesa, postura rígida, expressão de quem não dormiu, mas jamais perde a compostura.
Eriberto caminha de um lado para o outro, tenso, segurando a pasta que recebeu de Capitão Neves.
Neves está encostado na parede, braços cruzados, olhar de quem sabe demais e teme pouco.
A porta se abre.
PAOLA entra.
Fria. Impecável. Mas com um brilho diferente nos olhos — algo novo, perigoso, quase divertido.
Consuelo se levanta imediatamente.
CONSUEL0 (espantada, seca) O que você está fazendo aqui?
Paola fecha a porta com calma. Atravessa a sala como quem é dona do lugar.
PAOLA Eu vim ver a Marisa. E já que estava aqui… (pausa, olhando para Neves) …resolvi ver quem mais anda frequentando o palácio.
Neves desvia o olhar. Eriberto engole seco.
Consuelo tenta recuperar o controle.
CONSUEL0 Paola, isso é uma reunião de Estado. Você não pode simplesmente—
PAOLA (interrompe, doce e venenosa) Posso. E vou.
Ela se senta. Cruza as pernas. Como se estivesse assistindo a um espetáculo.
PAOLA Então… (pausa) …o que estamos tramando hoje? Campanha? Crise? Ou só mais um escândalo pra varrer pra debaixo do tapete?
Eriberto explode.
ERIBERTO Isso não te diz respeito!
Paola sorri — um sorriso lento, afiado.
PAOLA Ah, Eriberto… (pausa) …tudo que acontece nesse palácio me diz respeito. Sempre disse. Vocês só fingiram que não.
Consuelo tenta intervir.
CONSUEL0 Paola, por favor, não faça cena. Estamos lidando com assuntos sérios.
Paola se inclina para frente, olhando diretamente para ela.
PAOLA Assuntos sérios como… (pausa dramática) …o Supremo caçando o Capitão Neves? Ou como o “controle” que ele acabou de passar pro meu querido irmão?
Silêncio.
Neves arregala os olhos. Eriberto fica pálido. Consuelo perde o ar por um segundo.
ERIBERTO (assustado) Como você sabe disso?
Paola sorri — um sorriso de triunfo.
PAOLA Digamos que… (pausa) …as paredes desse palácio têm ouvidos. E olhos. E memória.
Consuelo se aproxima dela, furiosa.
CONSUEL0 Você está insinuando que está nos espionando?
Paola se levanta devagar. Olha para Consuelo com uma calma que assusta.
PAOLA Eu não preciso insinuar nada. Eu só observo. E vocês… (pausa, olhando para Neves e Eriberto) …vocês se entregam sozinhos.
Neves tenta recuperar o controle.
CAPITÃO NEVES Paola, isso é perigoso. Você não sabe com o que está mexendo.
Paola dá um passo em direção a ele.
PAOLA (baixa, firme) Eu sei exatamente com o que estou mexendo. E pela primeira vez… (pausa) …eu não estou sozinha.
Eriberto tenta entender.
ERIBERTO O que você quer?
Paola sorri — um sorriso que congela o ambiente.
PAOLA Quero o que sempre foi meu. (pausa) Verdade. Poder. E justiça.
Consuelo tenta rir, mas a voz falha.
CONSUEL0 Justiça? Você?
Paola se aproxima dela, olho no olho.
PAOLA Sim, mamãe. Eu. A filha que vocês enterraram viva. A que vocês tentaram apagar. A que voltou.
Consuelo empalidece.
Neves observa, tenso.
Eriberto não sabe se grita ou se desmaia.
Paola respira fundo, recupera a postura e diz:
PAOLA E agora… (pausa) …eu quero saber quem vai cair primeiro.
A câmera fecha no rosto dela — frio, elegante, implacável.
CORTA PARA:
CENA 4 — RIO DE JANEIRO — EXT. ANOITECER
SONOPLASTIA: “O Tempo Não Para” — Elza Soares (versão potente, grave, rasgada) A música entra como um manifesto. Como se o próprio Rio respirasse através da voz dela.
O céu está num tom alaranjado profundo, quase vermelho, como se anunciasse tempestade. A cidade pulsa — viva, nervosa, inquieta.
A câmera percorre:
— O Aterro do Flamengo lotado de carros. — A Baía refletindo o último brilho do sol. — O Cristo envolto em nuvens pesadas. — Ambulantes recolhendo barracas. — Jovens rindo alto na orla. — Policiais passando em motos. — Um helicóptero sobrevoando o Palácio das Laranjeiras.
A música cresce.
ELZA (V.O.) “Eu vejo o futuro repetir o passado…”
A câmera corta para:
PALÁCIO DAS LARANJEIRAS — FACHADA — ANOITECER
O palácio está cercado por repórteres, carros de transmissão, curiosos. Luzes piscam. Microfones se erguem. A tensão é quase palpável.
A música continua, mais forte.
ELZA (V.O.) “Eu vejo um museu de grandes novidades…”
A câmera sobe lentamente até uma das janelas do segundo andar.
Atrás do vidro, Paola observa a movimentação. Imóvel. Séria. O rosto iluminado pelo reflexo das luzes da imprensa.
Ela parece uma rainha exilada prestes a retomar o trono.
Corta para outra janela:
Consuelo, rígida, segurando um copo de uísque. O olhar dela é de puro ódio — e medo.
Corta para outra:
Eriberto, ao telefone, tenso, suando, tentando controlar o caos.
Corta para outra:
Márcia, ainda fingindo ser Stella, observa tudo com um sorriso discreto. Ela sabe que o mundo está prestes a virar de cabeça para baixo — e ela está pronta para aproveitar.
A música explode no refrão.
ELZA (V.O.) “O tempo não para!”
A câmera se afasta, revelando o palácio inteiro — um castelo sitiado, cercado por luzes, câmeras e segredos.
O Rio anoitece. Mas nada ali está pronto para dormir.
CORTA PARA:
CENA 5— PALÁCIO DAS LARANJEIRAS — ESCRITÓRIO DE ERIBERTO — NOITE
A sala está em penumbra. Apenas um abajur aceso. O clima é de funeral — mas não de luto, e sim de decisão.
Eriberto está parado diante da janela, olhando a cidade como se ela fosse um inimigo. Consueloestá sentada, impecável, com um copo de uísque na mão. O silêncio entre eles é pesado, quase sólido.
Eriberto fala sem virar o rosto.
ERIBERTO (baixa, gelada) A Paola passou dos limites.
Consuelo bebe um gole, sem pressa.
CONSUEL0 Ela sempre passou. A diferença é que agora… (pausa) …ela voltou querendo palco.
Eriberto finalmente se vira. O olhar é duro, decidido.
ERIBERTO Ela está mexendo onde não deve. E se continuar… (pausa) …acaba com tudo o que construímos.
Consuelo cruza as pernas, elegante como uma rainha decadente.
CONSUEL0 Você fala como se ela não fosse da família.
Eriberto dá um sorriso curto, sem humor.
ERIBERTO Família? Ela nunca foi parte disso. E agora… (pausa) …ela virou uma ameaça.
Consuelo observa o filho por alguns segundos. Depois, coloca o copo sobre a mesa com delicadeza — o gesto mais perigoso da cena.
CONSUEL0 (baixa, firme) Então elimine a ameaça.
Silêncio.
Eriberto se aproxima dela. Os dois ficam frente a frente — mãe e filho, cúmplices por natureza.
ERIBERTO Você está dizendo que…?
Consuelo ergue o queixo, altiva.
CONSUEL0 Estou dizendo que, às vezes, para salvar um império… (pausa, venenosa) …é preciso sacrificar quem quer incendiá-lo.
Eriberto respira fundo. A decisão se forma nos olhos dele.
ERIBERTO Ela não pode continuar.
Consuelo coloca a mão no ombro dele — um gesto quase carinhoso, mas carregado de escuridão.
CONSUEL0 Faça o que precisa ser feito. E faça rápido. Antes que ela faça com você.
A câmera se afasta lentamente.
Os dois ficam ali, imóveis, unidos por um pacto silencioso — um pacto que não tem volta.
CORTA PARA:
CENA 6 — CLÍNICA SÃO DAMIÃO — QUARTO DE “MÁRCIA” — NOITE
O quarto está silencioso, iluminado por uma luz suave. Stella, ainda fingindo ser Márcia, ajeita o lençol com a precisão de quem sabe que qualquer gesto pode denunciá-la. O olhar é atento, mas ela força uma expressão dócil, vulnerável.
A porta se abre.
PAULA LEE entra.
Fria. Elegante. Com aquele ar de quem nunca chega sem um propósito.
Stella força um sorriso — o sorriso que Márcia daria.
STELLA (como “Márcia”) Paula… que bom te ver. Eu ainda estou me recuperando, mas… (pausa ensaiada) …é tão bom ter família por perto.
Paula não retribui o sorriso. Ela se aproxima devagar, estudando cada detalhe.
PAULA Imagino que esteja cansada. Voltar do coma não é pouca coisa.
Stella mantém a máscara.
STELLA Eu tento lembrar… mas tudo é tão confuso…
Paula se senta ao lado da cama. Cruza as pernas. Inclina-se para frente.
O olhar dela é um bisturi.
PAULA Engraçado. Porque amanhã… tudo vai ficar muito claro.
Stella sente o corpo gelar — mas mantém o rosto sereno.
STELLA Como assim?
Paula respira fundo, saboreando cada palavra.
PAULA Amanhã, às oito da manhã, vamos divulgar uma fita cassete. (pausa) Recuperada. Com áudio original. Sem cortes.
Stella congela por um microssegundo. Paula percebe.
PAULA Uma gravação que prova… (pausa, venenosa) …que Stella era amante do Bruno.
Silêncio.
Stella sente o coração disparar — mas sorri. Um sorriso falso, exagerado, quase teatral.
STELLA (rindo, tentando soar leve) Ah, Paula… Você sabe como essas coisas são! A imprensa adora inventar! Se essa fita existe mesmo… (pausa) …vai ser ótimo esclarecer tudo.
Paula sorri — um sorriso frio, cruel.
PAULA Ótimo. Principalmente pra quem não tem nada a esconder.
Stella aperta o lençol sob o corpo, escondendo a mão trêmula.
STELLA Eu… estou tranquila.
Paula se levanta.
PAULA Durma bem, “Márcia”. Você vai precisar.
Ela sai.
A porta se fecha.
Stella desaba contra o travesseiro, respirando fundo, tentando recuperar o controle.
STELLA (baixa, desesperada) Ela está me testando… Ela sabe.
A câmera fecha no rosto dela — tenso, suado, apavorado.
CORTA PARA:
CENA 7 — PALÁCIO DAS LARANJEIRAS — QUARTO DE MARISA — NOITE (VERSÃO CORRIGIDA)
O quarto está em meia-luz. Marisa dorme profundamente, ainda frágil, respirando com dificuldade, mas estável. O ambiente é silencioso, quase sagrado.
A porta se abre devagar.
Stella, ainda disfarçada como Márcia, entra. Mas desta vez, ela não está tensa. Ela está… maternal.
Ela se aproxima da cama com passos lentos, suaves. Senta-se ao lado da filha. Observa o rosto de Marisa com uma ternura que não precisa ser fingida.
STELLA (como “Márcia”) (baixa, acariciando o cabelo de Marisa) Você é tão forte… Tão maior do que tudo isso.
Marisa murmura algo, ainda inconsciente. Stella sorri — um sorriso real, cheio de afeto.
STELLA (voz embargada) Eu prometo que nada vai te machucar de novo. Nem esse palácio. Nem essa família.
Ela segura a mão da filha. É um gesto de proteção, de culpa, de amor.
E então—
A porta se abre bruscamente.
CONSUEL0 surge.
Impecável. Fria. Olhar de águia.
Ela congela ao ver a cena: “Márcia” acariciando Marisa como uma mãe.
Stella se levanta imediatamente, tentando manter o papel.
STELLA (como “Márcia”) Dona Consuelo… eu só estava—
CONSUEL0 (interrompe, gelada) O que você está fazendo aqui?
Stella tenta sorrir.
STELLA Eu… sou a tia dela. Eu queria ver como ela estava.
Consuelo dá um passo à frente. Os olhos dela percorrem Stella de cima a baixo. Algo não bate. Algo não encaixa.
CONSUEL0 (baixa, desconfiada) Desde quando você fala assim com a Marisa?
Stella engole seco.
STELLA Assim como?
Consuelo se aproxima ainda mais. O rosto dela está a centímetros do de Stella.
CONSUEL0 Assim… (pausa, venenosa) …como se fosse a mãe dela.
Silêncio.
Stella tenta manter a compostura. Mas Consuelo percebe a hesitação — mínima, mas fatal.
CONSUEL0 (olhar fixo, cortante) Quem é você?
Stella congela.
Consuelo dá mais um passo, agora praticamente encurralando-a contra a cama.
CONSUEL0 (baixa, ameaçadora) Eu perguntei: quem é você?
A câmera fecha no rosto de Stella — o disfarce tremendo, o medo crescendo, o segredo prestes a explodir.
A câmera corta para o rosto de Consuelo — olhos estreitos, farejando a verdade.
CORTA PARA:
FIM
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