A OUTRA
CAPÍTULO 35
UMA NOVELA DE TAÍS GRIMALDI
CENA 1 — PALÁCIO DAS LARANJEIRAS — SUÍTE DE “STELLA” (MÁRCIA) — NOITE
Continuação imediata do último segundo do capítulo 34.
A porta ainda está vibrando do impacto de Eriberto ao sair. O silêncio é denso, cortante, quase sólido.
Márcia, ainda disfarçada como Stella, permanece de pé no centro do quarto. O laptop fechado sobre a mesa é uma bomba prestes a explodir.
Eriberto está pálido. Atônito. Sem ar.
ERIBERTO (engolindo seco) Então… (pausa) …aquela na clínica era a Márcia?
Márcia dá um passo à frente. O olhar dela é de aço.
MÁRCIA (como “Stella”) Se você quer que o Brasil saiba a verdade, Eriberto… (pausa, venenosa) …eu faço questão de contar.
Eriberto tenta recuperar o controle.
ERIBERTO Eu não sei do que você está falando.
Márcia abre o laptop devagar. A tela ilumina o rosto dela — um rosto frio, calculado, perigoso.
MÁRCIA Não sabe? Então vamos refrescar a sua memória.
Ela aperta uma tecla.
O áudio começa a tocar — alto, claro, inconfundível.
VOZ DE ERIBERTO (NO ÁUDIO) “Capitão Neves, isso precisa parecer um acidente. Nada que nos comprometa.”
Eriberto empalidece.
VOZ DE ERIBERTO (NO ÁUDIO) “Paola não pode continuar. Ela é uma ameaça.”
Márcia fecha o laptop com um estalo seco.
Silêncio.
Eriberto tenta falar, mas a voz falha.
ERIBERTO Isso… isso não prova nada.
Márcia sorri — um sorriso pequeno, cruel, digno de uma vilã que virou protagonista.
MÁRCIA Prova tudo. E você sabe.
Ela se aproxima, lenta, elegante, implacável.
MÁRCIA Se você quer que o Brasil saiba quem eu sou… (pausa) …eu faço questão de mostrar quem é você.
Eriberto recua um passo. Depois outro.
ERIBERTO (baixa, tenso) O que você quer?
Márcia ergue o queixo, soberana.
MÁRCIA Quero que você entenda uma coisa muito simples: (pausa) Para o mundo inteiro… (pausa, firme) …quem fugiu da clínica foi Márcia.
Eriberto arregala os olhos.
MÁRCIA E eu? (pausa, intensa) Eu continuo sendo Stella. A esposa perfeita. A mãe dedicada. A primeira-dama que o Brasil ama.
Ela dá um passo final, encurralando Eriberto contra a parede.
MÁRCIA E você… (pausa, venenosa) …vai sorrir para as câmeras ao meu lado. Vai me defender. Vai me proteger. Vai me obedecer.
Eriberto tenta manter a postura, mas está derrotado.
ERIBERTO E se eu não fizer isso?
Márcia abre o laptop novamente. O áudio volta a tocar — a conspiração, a frieza, o plano contra Paola.
Ela olha para ele com um brilho de triunfo.
MÁRCIA Então amanhã, às oito da manhã… (pausa, cortante) …o Brasil inteiro vai ouvir você planejando a morte da própria irmã.
Silêncio absoluto.
Eriberto desaba na cadeira. A máscara de poder cai. Ele está acabado.
Márcia fecha o laptop devagar, como quem sela um pacto.
MÁRCIA (baixa, vitoriosa) A guerra começou, Eriberto. E eu estou vencendo.
A câmera fecha no rosto dela — frio, brilhante, implacável.
CORTA PARA:
CENA 2 — RIO DE JANEIRO — EXT. AMANHECER
SONOPLASTIA: “Rio 40 Graus” — Fernanda Abreu (apenas a atmosfera, o groove, o clima quente e pulsante da música, sem letra)
O sol nasce por trás do Pão de Açúcar como um holofote natural. O céu está laranja, rosa, dourado — um espetáculo que só o Rio sabe entregar.
A câmera passeia pela cidade acordando:
— Ambulantes montando barracas na Praia de Copacabana. — O mar batendo forte, refletindo o sol nascente. — Um grupo de corredores no Aterro do Flamengo. — Ônibus lotados já às seis da manhã. — O Cristo Redentor emergindo das nuvens, imponente. — O trânsito começando a engarrafar na Lagoa. — A Lapa ainda com resquícios da noite anterior. — A Rocinha despertando, cheia de vida e movimento.
O clima é quente, vibrante, caótico — o Rio em sua essência.
A música segue no ritmo contagiante, dando o tom do capítulo: calor, tensão, energia, perigo.
A câmera sobe, revelando o Palácio das Laranjeiras ao longe — um castelo cercado de segredos, mentiras e uma guerra fria prestes a explodir.
O sol bate na fachada do palácio como se iluminasse um campo de batalha.
CORTA PARA:
CENA 3 — DELEGACIA — ESCRITÓRIO DE YONÃ — DIA
O ambiente é movimentado, telefones tocando, policiais entrando e saindo, mas o escritório de Yonã é um oásis de foco. Mesa organizada, pastas empilhadas, um quadro com fotos de Arthur, Cibeli, e conexões rabiscadas em vermelho.
Yonã está de pé, analisando o quadro, quando batem à porta.
YONÃ Entre.
A porta se abre.
PAULA LEE entra — elegante, firme, mas com um ar de urgência que ela não tenta esconder.
Yonã fecha a pasta que estava lendo.
YONÃ Paula Lee. Não esperava você tão cedo.
Paula se senta sem esperar convite.
PAULA LEE Eu vim falar sobre o Arthur.
Yonã se inclina, interessada.
YONÃ O que tem ele?
Paula respira fundo.
PAULA LEE Eu acredito que a morte dele está conectada à da Cibeli. E que o assassino — ou assassina — é a mesma pessoa.
Yonã não se surpreende. Ela apenas cruza os braços, avaliando.
YONÃ Eu tenho esse palpite faz tempo. Mas preciso de algo concreto. Arthur comentou alguma coisa… alguém… antes de morrer?
Paula pensa. Fecha os olhos por um instante, tentando puxar a memória.
E então — Ela abre os olhos, tensa.
PAULA LEE Sim. Ele falou um nome. Um nome que eu não dei importância na hora.
Yonã se aproxima, atenta.
YONÃ Qual nome?
Paula hesita um segundo — o suficiente para aumentar a tensão.
PAULA LEE Mercedes.
Yonã franze o cenho.
YONÃ Mercedes… quem?
Paula engole seco.
PAULA LEE Mercedes… (pausa) …a mãe do menino que matou o Vinícius. Meu sobrinho.
Silêncio pesado.
Yonã se endireita, intrigada, o olhar aceso.
YONÃ Isso muda tudo.
Paula se inclina para frente.
PAULA LEE Eu sei. E é por isso que eu estou aqui. Porque se Arthur sabia de alguma coisa… (pausa) …ele morreu por isso.
Yonã pega uma caneta, anota o nome “MERCEDES” em letras grandes no quadro.
YONÃ (baixa, firme) Se essa mulher está envolvida… …a gente acabou de abrir uma porta que ninguém queria abrir.
Paula cruza as pernas, tensa.
PAULA LEE Então abra. Porque eu quero saber quem matou o Arthur. E quem matou a Cibeli. E por quê.
Yonã encara Paula — duas mulheres fortes, determinadas, prontas para ir até o fim.
YONÃ Com esse nome… (pausa) …a investigação muda de ritmo. E de direção.
A câmera fecha no nome “MERCEDES” no quadro — sublinhado, circulado, marcado como nova peça-chave.
CORTA PARA:
CENA 4 — COBERTURA DE LAURINHA — DIA
A cobertura de Laurinha está em seu habitual caos organizado: roupas caras jogadas sobre sofás, taças de espumante pela metade, música lounge tocando baixo, e um clima de tensão que corta o ar.
Giuseppe, Evelyn e Zilda Maria estão reunidos ao redor da bancada de mármore, cada um com um celular na mão, falando baixo, nervosos.
Giuseppe caminha de um lado para o outro, gesticulando como um diretor de cinema em crise.
GIUSEPPE (agitado) Ela foi desmascarada! Des-ma-sca-ra-da! A gente precisa tirá-la de lá antes que vire um escândalo nacional!
Evelyn está sentada, pernas cruzadas, fumando um cigarro eletrônico com a calma de quem já viu o mundo acabar três vezes.
EVELYN Giuseppe, querido… (pausa, soltando fumaça) …se você entrar naquele palácio agora, quem vai precisar de resgate é você.
Zilda Maria, sempre prática, abre um mapa do palácio no tablet.
ZILDA MARIA Eu já tracei três rotas de extração. A mais segura é pelo jardim leste, mas vamos precisar de um carro sem placa e de alguém que distraia os seguranças.
Giuseppe joga as mãos para o alto.
GIUSEPPE Ótimo! Perfeito! Maravilhoso! Então vamos! Cadê a Laurinha? Ela precisa avisar a Márcia que estamos indo buscá-la!
A porta da suíte se abre.
LAURINHA entra.
Linda. Serena. Com um copo de Aperol Spritz na mão. E um sorriso que ninguém entende.
LAURINHA Avisar o quê?
Os três se viram ao mesmo tempo.
GIUSEPPE Laurinha! Graças a Deus! A Márcia foi desmascarada! A gente precisa tirá-la do palácio agora!
Laurinha dá um gole no drink. Calma. Imperturbável.
LAURINHA Então… (pausa dramática) …não precisa.
Silêncio.
EVELYN (erguendo uma sobrancelha) Como assim “não precisa”?
Laurinha coloca o copo na mesa, como quem vai anunciar o vencedor do Oscar.
LAURINHA Porque ela não quer sair.
Giuseppe quase engasga.
GIUSEPPE Como é que é?!
Laurinha sorri — aquele sorriso perigoso, de quem sabe mais do que diz.
LAURINHA A Márcia mandou avisar que vai ficar no palácio. E mais: (pausa, saboreando o momento) …ela vai ao coquetel no Copacabana Palace hoje à noite. Ainda como Stella.
Evelyn arregala os olhos.
EVELYN Ela enlouqueceu.
Zilda Maria fecha o tablet devagar.
ZILDA MARIA Ou ela está jogando um jogo que a gente ainda não entendeu.
Giuseppe se joga no sofá, desesperado.
GIUSEPPE Um coquetel! No Copa! Com a imprensa inteira! Ela vai ser reconhecida! Vai ser fotografada! Vai ser… vai ser… (pausa, dramático) …cancelada!
Laurinha pega o copo de volta, dá outro gole e sorri como quem aprecia o caos.
LAURINHA Ou vai virar a mulher mais poderosa do Rio. Depende de como ela jogar.
Os três ficam em silêncio, digerindo a informação.
Laurinha ergue o copo.
LAURINHA Então, meus amores… (pausa, brilhante) …vamos nos arrumar. Hoje à noite, o Copacabana Palace vai pegar fogo.
A câmera sobe, revelando a vista da praia, o mar brilhando ao sol, e o clima de guerra fria que só está começando.
CORTA PARA:
CENA 5 — RIO DE JANEIRO — ANOITECER
SONOPLASTIA: clima, atmosfera e instrumental de “Why”, Annie Lennox (sem letra — apenas o tom melancólico, elegante e dramático da música)
O céu do Rio está num tom lilás profundo, quase roxo, enquanto o sol se despede atrás dos morros. A cidade parece suspensa entre o dia e a noite — um instante de beleza triste, carregado de presságios.
A câmera passeia lentamente:
— A orla de Copacabana começando a acender suas luzes. — O mar escuro, espelhando o último brilho do sol. — O trânsito pesado na Atlântica, buzinas abafadas pela música. — Turistas tirando fotos, sem imaginar a guerra silenciosa que se aproxima. — O Copacabana Palace surgindo ao fundo, imponente, iluminado, pronto para a noite.
O instrumental de “Why” cria uma atmosfera de elegância melancólica, como se o Rio estivesse prestes a testemunhar algo grande — e perigoso.
A câmera sobe, revelando a fachada branca do Copa, brilhando sob a luz dourada dos postes.
Carros de luxo chegam. Fotógrafos se posicionam. Convidados descem com vestidos longos, joias, sorrisos ensaiados.
O clima é de glamour… mas a música entrega o subtexto: há algo errado. Algo prestes a ruir.
A câmera se aproxima da entrada principal.
Os seguranças se ajeitam. Os flashes começam a disparar.
E então — um carro preto para diante do tapete vermelho.
A porta traseira se abre.
Um salto elegante toca o chão.
A câmera sobe devagar, revelando—
“STELLA”. Márcia. Impecável. Serena. Perigosa.
Ela ergue o rosto para os fotógrafos. Sorri. Um sorriso calculado, frio, perfeito.
O instrumental de “Why” atinge seu auge.
A guerra fria entrou no salão.
CORTA PARA:
CENA 6 — COPACABANA PALACE — SALÃO PRINCIPAL — NOITE
SONOPLASTIA: clima instrumental de “Why”, Annie Lennox — suave, elegante, melancólico, preenchendo o salão como uma névoa emocional.
O salão do Copacabana Palace está lotado. Lustres de cristal brilham como estrelas. Garçons deslizam entre os convidados. Fotógrafos disputam espaço. Políticos, empresários, socialites, jornalistas — todo mundo está ali.
É o tipo de evento onde um olhar derruba reputações e um sorriso cria alianças.
A câmera passeia pelo salão, revelando todo o elenco:
- Consuelo, impecável, mas tensa, com um sorriso duro.
- Eriberto, tentando parecer calmo, mas suando discretamente.
- Paola, deslumbrante, porém desconfiada, observando tudo.
- Yonã, elegante, conversando com um promotor, mas com o olhar atento.
- Paula Lee, analisando o ambiente como uma investigadora nata.
- Giuseppe, Evelyn e Zilda Maria, juntos, como um trio de comentaristas venenosos.
- Laurinha, perfeita, radiante, como se fosse dona do hotel.
- Mercedes, discreta, mas presente — e isso já é suspeito.
- Selena, infiltrada entre os convidados, observando.
- A verdadeira Stella, ainda longe, mas sua sombra paira sobre a cena.
O salão inteiro está em clima de glamour… mas a música entrega o subtexto: algo está prestes a explodir.
ENTRADA DE “STELLA” (MÁRCIA)
A porta principal se abre.
Os fotógrafos se viram ao mesmo tempo.
Um silêncio estranho percorre o salão, como uma onda.
E então ela aparece.
Márcia, ainda disfarçada como Stella, surge no topo da escadaria.
Vestido impecável. Cabelo perfeito. Postura de rainha. Olhar de quem sabe que está entrando em território inimigo — e mesmo assim domina o ambiente.
Os flashes começam a disparar.
O salão inteiro para.
Consuelo empalidece. Eriberto engole seco. Paola arregala os olhos. Giuseppe quase desmaia. Evelyn sorri, fascinada. Zilda Maria murmura: “Meu Deus… ela é louca.”
Laurinha sorri como quem assiste a um espetáculo que ela mesma produziu.
Yonã observa com atenção — algo não bate. Paula Lee sente o cheiro de escândalo no ar. Mercedes desvia o olhar, desconfortável. Selena, escondida entre os convidados, sorri discretamente — ela sabe a verdade.
Márcia desce a escadaria devagar, cada passo calculado, elegante, perigoso.
Ela sabe que todos estão olhando. Ela sabe que todos estão julgando. Ela sabe que todos estão com medo.
E ela adora.
Quando chega ao centro do salão, Márcia para.
Consuelo e Eriberto se aproximam, tensos, tentando manter as aparências.
CONSUEL0 (baixa, venenosa) Você enlouqueceu.
Márcia sorri — um sorriso pequeno, frio, devastador.
MÁRCIA (como “Stella”) Não, Consuelo. Eu apenas cheguei.
Eriberto tenta intervir.
ERIBERTO Você não devia estar aqui.
Márcia se inclina levemente, como quem agradece um elogio.
MÁRCIA E ainda assim… (pausa, olhando ao redor) …o salão inteiro parou para me ver.
Os convidados cochicham. Os fotógrafos registram tudo. A tensão é quase palpável.
Paola se aproxima, desconfiada.
PAOLA Stella… você está bem?
Márcia olha para ela com um brilho enigmático.
MÁRCIA Nunca estive melhor.
A música sobe — o instrumental de “Why” atinge um ponto emocional.
A câmera sobe, revelando o salão inteiro congelado em expectativa.
Márcia está no centro. Todos ao redor. O jogo virou. A guerra começou. E ninguém sabe quem vai sobreviver.
CORTA PARA:
CENA 7 — COPACABANA PALACE — SALÃO PRINCIPAL — NOITE
SONOPLASTIA: clima instrumental de “(I Can’t Get No) Satisfaction” — The Rolling Stones (somente a pulsação rítmica, o groove elétrico, sem letra — criando tensão, perigo e glamour)
O salão está no auge. Conversas, risos, taças tilintando, flashes disparando. Mas há algo no ar — um pressentimento coletivo, como se todos sentissem que algo monumental está prestes a acontecer.
Márcia, ainda como Stella, domina o centro do salão. Consuelo e Eriberto a observam de longe, tensos. Paola, Yonã, Paula Lee, Mercedes, Laurinha, Giuseppe, Evelyn, Zilda Maria — todo o elenco — espalhados pelo ambiente, atentos, inquietos.
A música sobe, vibrante, elétrica.
E então—
As portas laterais do salão se abrem.
Um vento leve entra, fazendo as cortinas brancas ondularem como bandeiras de guerra.
Os convidados se viram.
Os fotógrafos levantam as câmeras.
O salão silencia.
E surge ela.
A verdadeira STELLA.
Acompanhada de Selena, que caminha um passo atrás, como uma sombra leal.
Stella está impecável. Elegante. Serena. Com uma força silenciosa que faz o salão inteiro prender a respiração.
Márcia congela.
Consuelo leva a mão à boca.
Eriberto empalidece.
Paola arregala os olhos.
Laurinha sorri — fascinada.
Yonã e Paula Lee trocam um olhar de puro instinto policial.
A música pulsa, criando um clima de duelo silencioso.
Stella atravessa o salão como se fosse dona dele. Cada passo é uma declaração. Cada olhar, uma sentença.
Ela para diante de Márcia.
O salão inteiro observa.
Márcia mantém o sorriso — um sorriso tenso, mas orgulhoso.
Stella abre os braços.
E abraça Márcia.
Um abraço longo. Profundo. Ambíguo. Um abraço que ninguém entende.
Os fotógrafos enlouquecem.
Consuelo quase desmaia.
Eriberto não sabe se corre ou se reza.
E então—
Stella aproxima os lábios do ouvido de Márcia.
A câmera fecha no sussurro.
STELLA (sussurrando) Você não queria jogar? (pausa, um sorriso que só Márcia sente) Confesso que estou adorando o jogo.
Márcia fecha os olhos por um segundo — atingida, desarmada, provocada.
Stella se afasta devagar.
As duas se encaram.
Duas mulheres idênticas. Duas forças opostas. Duas rainhas no mesmo tabuleiro.
O salão inteiro prende a respiração.
A música explode no refrão instrumental.
A guerra, agora, é oficial.
CORTA PARA:
FIM
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