A OUTRA

CAPÍTULO 27

UMA NOVELA DE TAÍS GRIMALDI


CENA 1 – HOSPITAL PARTICULAR. QUARTO DE STELLA. INT. NOITE

O quarto permanece carregado depois do confronto. Márcia — ainda interpretando Stella com perfeição — mantém a postura ereta, o olhar frio, a respiração controlada. Eriberto, Selena e Consuelo, a sogra, continuam ali, desconfortáveis, como se estivessem diante de uma Stella… diferente. Mais perigosa.

Márcia caminha até a janela, de costas para eles. O silêncio pesa.

CONSUELo — (tentando suavizar o clima, mas sem intimidade real) Stella… tem algo que você precisa saber.

Márcia não se vira.

MÁRCIA (como Stella) — Diga, Consuelo. Hoje não estou com paciência para rodeios.

Consuelo troca um olhar rápido com Eriberto e Selena. Ela respira fundo.

CONSUELo — É sobre a Marisa. (pausa) Ela acordou.

Márcia gira lentamente, agora atenta.

MÁRCIA — Acordou? (pausa curta) O que aconteceu com ela?

Consuelo hesita. Eriberto olha para o chão. Selena finge examinar as unhas.

CONSUELo — (baixando a voz) Foi uma overdose.

O impacto atinge Márcia como um soco — mas por fora, ela mantém a máscara de Stella intacta.

MÁRCIA — (fria, mas com um tremor quase imperceptível) Overdose? (pausa longa) A minha filha?

Consuelo tenta se aproximar, mas Márcia ergue a mão, impedindo — sem intimidade, sem afeto.

MÁRCIA — E vocês só me contam isso agora?

ERIBERTO — (defensivo) Stella, você estava desacordada. Não era o momento...

MÁRCIA — (corta, gelada) Eu decido o momento, Eriberto.

Selena tenta intervir.

SELENA — Stella, a Marisa está estável. Não precisa dramatizar...

Márcia dá um passo à frente, o olhar afiado como navalha.

MÁRCIA — Dramatizar? (aproxima-se ainda mais) A minha filha quase morreu. E você acha que eu estou dramatizando?

Selena engole seco.

Márcia respira fundo, recupera a compostura e aponta para a porta.

MÁRCIA — Chega. Eu preciso de silêncio. E de vocês longe de mim.

Eriberto tenta argumentar.

ERIBERTO — Stella, nós só queremos ajudar...

MÁRCIA — (seca, autoritária) Se eu quisesse ajuda, chamaria um enfermeiro. Agora saiam.

Consuelo hesita, magoada — mas não por afeto, e sim por orgulho ferido.

CONSUELo — Stella, eu só trouxe a notícia.

MÁRCIA — (olhar duro, porém com uma sombra de dor) E eu agradeço. Mas agora, por favor. Me deixem sozinha.

Consuelo baixa a cabeça, derrotada. Eriberto e Selena trocam olhares — irritados, desconfiados, mas sem coragem de enfrentar essa “nova Stella”.

Um a um, eles saem.

A porta se fecha.

Márcia finalmente desaba numa cadeira. O rosto endurecido se quebra. A dor aparece. O medo. A culpa. O amor pela sobrinha.

MÁRCIA — (sussurro, para si mesma) Marisa o que fizeram com você?

Ela olha para a irmã em coma.

MÁRCIA — E o que você deixou acontecer?

A câmera se aproxima do rosto dela — dividido entre vingança e desespero.

CORTA PARA:

CENA 2 – HOSPITAL PARTICULAR. SALA DE ESPERA. INT. DIA

A sala de espera é fria, silenciosa, com luz branca demais. Selena está de pé, inquieta, andando em círculos. Eriberto está sentado, tenso, com o celular na mão. Consuelo observa os dois, impassível, como quem já viu esse tipo de crise antes.

SELENA — (parando de andar, firme) A gente precisa ir à imprensa. Agora.

Eriberto levanta o olhar, cauteloso.

ERIBERTO — Você acha que é o momento?

SELENA — É o único momento. Se deixarem essa história correr solta, vão transformar a Stella numa vítima de um acidente qualquer. Ou pior, vão começar a especular que foi culpa dela.

Consuelo cruza as pernas, elegante.

CONSUELo — E o que exatamente você pretende dizer?

Selena se aproxima, segura, calculista.

SELENA — Que foi um atentado. E que o jato estava preparado para o Eriberto. (pausa) Ele era o alvo.

Eriberto arregala os olhos, surpreso — mas não chocado.

ERIBERTO — Isso muda tudo.

SELENA — Exatamente. Se você era o alvo, então Stella é uma vítima colateral. E isso gera comoção. Protege a imagem dela. E ainda te coloca como o homem que sobreviveu a uma tentativa de assassinato.

Consuelo sorri de leve — um sorriso de quem reconhece uma boa jogada.

CONSUELo — É uma narrativa forte. E ninguém vai conseguir desmentir. (pausa) O jato era seu, afinal.

Eriberto se levanta, já convencido.

ERIBERTO — Vamos fazer isso. Hoje mesmo. Antes que alguém tome a frente da história.

Selena pega o celular, já digitando.

SELENA — Vou ligar para o assessor. Quero manchete nos principais portais até o fim da tarde.

Consuelo se levanta com calma.

CONSUELo — E que fique claro: não é mentira. É estratégia.

Selena sorri, venenosa.

SELENA — E estratégia é o que mantém famílias como a nossa no topo.

Eles se encaram — cúmplices, frios, prontos para manipular o país inteiro.

CORTA PARA:

CENA 3 – FACHADA DO HOSPITAL. EXT. DIA

SONOPLASTIA: Entrada de “Que País É Esse” – Legião Urbana (instrumental) O som explode, cortando o burburinho da imprensa.

A fachada do hospital está tomada por repórteres, câmeras, drones, flashes. Um mar de microfones se ergue quando Eriberto surge, impecável, gravata alinhada, expressão calculadamente grave. Ao lado dele, Selena e Consuelo, ambas com semblantes ensaiados de tensão e solidariedade.

Eriberto sobe ao púlpito improvisado. O instrumental da música diminui, mas permanece como tensão de fundo.

Ele respira fundo, olha para as câmeras — e ativa o modo estadista.

ERIBERTO - Brasileiros e brasileiras… Hoje, a minha família sofreu um ataque covarde. (um burburinho explode; flashes disparam) Primeira-Dama, Stella, e sua irmã, Márcia, foram vítimas de um atentado. Um atentado que — e isso precisa ficar muito claro — tinha como alvo a mim. (um silêncio pesado toma conta da multidão) Elas só estavam naquele jato porque, de última hora, decidiram fazer uma viagem de reconciliação familiar. Porque nós acreditamos — e sempre pregamos — que família é um valor inegociável.

Ele faz uma pausa dramática.

ERIBERTO - Independente do que Márcia tenha feito no passado. Ela é irmã de Stella. E toda família merece uma segunda chance.

Selena observa a reação da imprensa, satisfeita. Consuelo mantém a postura de matriarca ferida.

ERIBERTO - Quero tranquilizar o país dizendo que Stella está desperta. Está consciente. Está forte. (um alívio coletivo percorre os repórteres) Mas peço que todos vocês rezem pela recuperação de Márcia. Ela luta pela vida neste momento.

Ele baixa o olhar, como se segurasse a emoção — um gesto perfeitamente calculado.

ERIBERTO - Agradeço o apoio de todos. E garanto: os responsáveis por esse ataque serão encontrados.

Ele se afasta do púlpito. Selena sorri discretamente. Consuelo acena para as câmeras com a dignidade de quem sabe exatamente o papel que está interpretando.

A música volta a subir, pesada, crítica, irônica.

CORTA PARA:

CENA 4 – HOSPITAL PARTICULAR. QUARTO DE STELLA. INT. DIA

O quarto está silencioso. A verdadeira Stella continua imóvel na cama, cercada por máquinas. Márcia — impecável no papel da irmã — observa a porta se fechar atrás de Eriberto, Consuelo e Selena.

Ela respira fundo, recompõe a postura e aperta o botão de chamada.

A porta se abre. Selena entra, elegante, felina, com aquele sorriso que sempre guardou para Stella.

SELENA — Você pediu para falar comigo a sós.

Márcia se vira devagar, estudando cada gesto da outra mulher.

MÁRCIA (como Stella) — Precisamos resolver um problema. E você é a única aqui que entende… sutilezas.

Selena sorri, reconhecendo o jogo.

SELENA — Ah, Stella… Eu estava com saudade desse seu veneno doce.

Márcia ignora a provocação.

MÁRCIA — Quero que você converse com os médicos. E quando eu digo “converse”, você sabe exatamente o que quero dizer.

Selena ergue uma sobrancelha, interessada.

SELENA — Suborno?

MÁRCIA — Quero que mantenham a “Márcia” em coma o máximo possível. (pausa) Assim… não precisamos nos preocupar com ela. Nem com o que ela pode dizer.

Selena dá um passo à frente, encantada com a frieza.

SELENA — Isso… Isso é tão você. A Stella que eu conheço. A Stella que eu… admiro.

Ela se aproxima ainda mais, lenta, sedutora. Toca o braço de Márcia.

SELENA — Senti falta disso. Da mulher que pensa três passos à frente. Da mulher que não tem medo de sujar as mãos. Da mulher que…

Ela inclina o rosto, prestes a beijá-la.

Márcia recua — firme, mas sem perder a compostura.

MÁRCIA — Selena… não. Agora não.

Selena congela, surpresa.

MÁRCIA — Neste momento, precisamos ser profissionais. Não passionais.

Selena respira fundo, recompõe o sorriso — agora mais perigoso.

SELENA — Como quiser, Stella. Mas saiba… Eu sempre preferi quando você misturava as duas coisas.

Márcia mantém o olhar duro.

MÁRCIA — Faça o que pedi. E faça direito.

Selena dá um sorriso lento, cúmplice.

SELENA — Considere feito.

Ela sai do quarto, deixando no ar um perfume caro e uma ameaça silenciosa.

Márcia observa a porta se fechar. Seu rosto endurece.

Ela olha para a verdadeira Stella na cama.

MÁRCIA — (sussurro) Eu vou arrumar tudo, mana. Do meu jeito.

CORTA PARA:

CENA 5 – HOSPITAL PARTICULAR. CAFETERIA. INT. DIA

A cafeteria está quase vazia. Paola está sentada com um café frio à sua frente. Paula Lee chega, coloca a bandeja na mesa e se senta.

Na TV, ainda passam trechos da coletiva de Eriberto.

PAOLA — (irritada, amarga) Olha isso. Ele transformou a tragédia num espetáculo. Um circo completo.

PAULA LEE — Ele sempre faz isso. Agora vai posar de mártir nacional.

Paola revira os olhos.

PAOLA — A Marcia em coma, a Marisa lutando pela vida e ele lá fora, fazendo discurso como se fosse o herói da história. É nojento.

Paula Lee concorda com a cabeça.

PAULA LEE — E o país vai engolir tudo.

Paola suspira, cansada.

PAOLA — A Marisa não merece isso. Nenhuma das duas merece.

A porta da cafeteria se abre com força.

MÁRIO entra — desesperado, suado, com os olhos vermelhos. Ele avista Paola e corre até ela.

MÁRIO — (trêmulo) Paola… por favor… Me deixa ver a Marisa.

Paola se levanta, surpresa com o estado dele.

PAOLA — Mário… o que houve? Por que você está assim?

Ele tenta respirar, mas a voz falha.

MÁRIO — Eu preciso ver ela. Por favor. Eu imploro.

Paula Lee observa, percebendo que aquilo não é exagero — é dor real.

PAOLA — Mário… a situação dela é muito delicada. Não sei se vão deixar você entrar.

Ele segura as mãos dela, desesperado.

MÁRIO — Paola… Ela é minha namorada. Eu preciso estar com ela.

Paola congela. Paula Lee arregala os olhos.

PAULA LEE — Sua… namorada?

Mário fecha os olhos, derrotado.

MÁRIO — Eu devia ter contado. Mas a gente queria manter tudo em segredo… Pelo menos por enquanto.

Paola respira fundo, tomada por um choque silencioso.

PAOLA — Meu Deus, Mário… Por que você nunca disse nada?

Ele desaba numa cadeira, chorando.

MÁRIO — Porque eu achei que teria tempo. E agora… Agora eu só quero ver ela. Só isso.

Paola se abaixa, segura o rosto dele com cuidado.

PAOLA — Eu vou tentar. Eu prometo. Mas você precisa respirar. E confiar em mim.

Mário tenta se recompor, mas a dor é maior que ele.

Paula Lee observa — e pela primeira vez, parece realmente tocada.

CORTA PARA:

CENA 6 – HOSPITAL PARTICULAR. QUARTO DE MARISA. INT. DIA

A luz é baixa. Máquinas apitam suavemente. Marisa está acordada, frágil, pálida, mas consciente. Ela encara o teto, perdida, quando a porta se abre devagar.

MÁRIO entra — hesitante, destruído, com os olhos inchados de tanto chorar.

Ele para ao lado da cama, sem coragem de tocar nela.

MÁRIO — (voz trêmula) Marisa… Sou eu.

Ela vira o rosto devagar, cansada, mas lúcida.

MARISA — Eu sei.

Silêncio. Um silêncio que pesa mais que qualquer palavra.

Mário respira fundo, tentando se controlar.

MÁRIO — Eu… Eu me sinto culpado. Por tudo. Por você estar aqui. Por ter feito aquilo com você.

Marisa fecha os olhos, dolorida.

MARISA — Eu fiz aquilo porque descobri quem você era. Porque você mentiu pra mim. Por meses.

Mário se aproxima, desesperado.

MÁRIO — Eu sei. E eu nunca devia ter escondido. Mas eu estava tentando sair daquilo. Eu juro. Eu estava tentando… Por você.

Ela o encara — magoada, mas não indiferente.

MARISA — Você podia ter confiado em mim. Eu teria te ajudado. Eu teria ficado do seu lado. Mas você me deixou no escuro. E eu… Eu desmoronei.

Mário segura a mão dela com cuidado, como se tivesse medo de quebrá-la.

MÁRIO — Eu te amo, Marisa. Eu te amo de um jeito que eu nem sabia que era possível. E eu achei que, se você soubesse da minha vida… Você ia me deixar.

Uma lágrima escorre pelo rosto dela.

MARISA — Eu fiquei magoada. Muito. Mas eu nunca deixei de te amar.

Ele se aproxima mais, emocionado.

MÁRIO — Então… Me deixa ficar. Me deixa cuidar de você. Me deixa fazer tudo certo dessa vez.

Marisa aperta a mão dele — fraca, mas firme.

MARISA — Eu quero você aqui. Mas sem mentiras. Nunca mais.

Mário beija a mão dela, chorando.

MÁRIO — Nunca mais. Eu prometo.

Ela sorri — pequeno, frágil, mas verdadeiro.

Eles se olham, e pela primeira vez desde o caos, há paz entre os dois.

 

CENA 7 – VESTIÁRIO DO CLUBE. INT. NOITE

O vestiário está vazio, iluminado por lâmpadas frias. Stu está sentado no banco, trocando de roupa, quando a porta se abre de repente.

Arthur entra — firme, sério, com a expressão de quem veio cobrar.

Stu se assusta.

STU — Caramba, Arthur… que susto.

Arthur cruza os braços, sem humor.

ARTHUR — A gente precisa conversar.

Stu revira os olhos, já irritado.

STU — Se for sobre treino, fala com o técnico. Eu tô de saída.

Arthur dá um passo à frente.

ARTHUR — Não é sobre treino. É sobre a Marisa.

Stu congela por um segundo — rápido, mas perceptível.

STU — O que tem ela?

ARTHUR — Você sabe muito bem o que tem. A overdose. E o seu nome circulando nos bastidores como alguém que estava envolvido na festa.

Stu fecha a porta do armário com força.

STU — Eu não tenho nada a ver com isso. Tão inventando coisa.

Arthur não se move.

ARTHUR — Os patrocinadores não gostam de “coisa inventada”. Eles gostam de imagem limpa. E você… Você tá longe disso.

Stu respira fundo, irritado.

STU — Você veio aqui pra me dar sermão?

Arthur se aproxima, agora mais baixo, mais incisivo.

ARTHUR — Não. Vim perguntar outra coisa.

Stu engole seco.

ARTHUR — Por que você anda visitando a Mercedes?

Stu empalidece.

STU — Quem?

ARTHUR — Não finge. A Mercedes. A mãe do assassino do Vinícius. Ex-noivo da Sibeli.

Stu desvia o olhar, nervoso.

STU — Isso não é da sua conta.

Arthur ergue uma sobrancelha.

ARTHUR — Então tem alguma coisa.

Stu pega a mochila, apressado.

STU — Eu não tenho que te explicar nada. Nada.

Arthur dá um passo para o lado, bloqueando a saída.

ARTHUR — Stu se isso vier à tona, você tá acabado. E não só você.

Stu empurra Arthur de leve, sem encará-lo.

STU — Eu disse que não é da sua conta.

Ele sai do vestiário quase correndo, visivelmente abalado.

Arthur fica parado, observando a porta se fechar, com um olhar que mistura preocupação e suspeita.

CORTA PARA:

 

CENA 8 – HOSPITAL PARTICULAR. QUARTO DE STELLA. INT. NOITE

O quarto está silencioso. Márcia — ainda interpretando Stella — ajeita o lençol, tentando manter a postura impecável. A porta se abre sem bater.

Laurinha entra.

Ela veste um look preto total, elegante, dramático, quase fúnebre. Um sorriso frio no rosto.

LAURINHA — Boa noite, Stella.

Márcia estranha o tom, mas mantém a máscara.

MÁRCIA (como Stella) — Laurinha… o que você está fazendo aqui?

Laurinha dá uma volta lenta pelo quarto, como se estivesse avaliando o espaço onde alguém está prestes a morrer.

LAURINHA — Vim ver como você está. E, claro… mostrar meu look.

Ela abre os braços, exibindo o visual.

LAURINHA — Eu já tinha planejado usar isso no seu funeral.

Márcia empalidece.

MÁRCIA — Como é?

Laurinha se aproxima, cruel, divertida.

LAURINHA — Ah, Stella… Você sempre foi tão lenta para entender as coisas. O atentado? Fui eu.

Márcia dá um passo para trás, chocada.

MÁRCIA — Você…?

Laurinha sorri, satisfeita com o impacto.

LAURINHA — Considere um presente atrasado. Por tudo que você e a Selena fizeram comigo. Por terem afastado o Eriberto de mim… De uma vez por todas.

Ela se inclina, o olhar brilhando de ódio.

LAURINHA — E principalmente… Por terem me obrigado a matar a Alice. E o bebê que ela esperava.

Márcia perde o ar. O mundo gira. Ela segura na beira da cama para não cair.

MÁRCIA — Meu Deus…

Laurinha ri — um riso leve, quase infantil, mas completamente perturbador.

LAURINHA — Não faça essa cara, Stella. Você sabe muito bem o que fez.

Márcia fecha os olhos por um segundo. Quando abre, a decisão está tomada.

Ela respira fundo.

E então…

MÁRCIA — Laurinha… Eu não sou a Stella.

Laurinha congela. O sorriso desaparece.

LAURINHA — Como é que é?

Márcia dá um passo à frente, firme, intensa.

MÁRCIA — Eu sou a Márcia. A irmã dela. E eu quero a sua ajuda.

Laurinha pisca, confusa — e intrigada.

LAURINHA — Ajuda… pra quê?

Márcia se aproxima, o rosto a centímetros do dela.

MÁRCIA — Pra acabar com a vida da Stella. E colocar aquela mulher atrás das grades. 

Laurinha abre um sorriso lento, venenoso, satisfeito.

LAURINHA — Agora sim… A conversa ficou interessante.

A câmera fecha no rosto das duas — duas mulheres perigosas, unidas por ódio e oportunidade.

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FIM

 

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